Kamala Harris volta à campanha com olhos postos nas eleições de 2028
A primeira deslocação será ao Michigan, onde participará numa iniciativa de apoio a Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado, seguindo-se ações de campanha no Nevada e na Geórgia.
A escolha do Michigan tem particular significado político para Harris, uma vez que foi um dos sete estados decisivos que perdeu para o agora Presidente Donald Trump nas eleições de 2024 e integra agora o grupo de seis estados que iniciarão o próximo processo de escolha do candidato democrata à Casa Branca.
A ex-vice-presidente continua a ser uma das figuras mais conhecidas do Partido Democrata, mas uma eventual nova candidatura divide dirigentes e militantes da formação política, depois de não ter conseguido derrotar Trump quando substituiu Joe Biden na corrida presidencial de 2024.
"Penso que o ciclo dela já terminou", afirmou Barry Goodman, membro do Comité Nacional Democrata pelo Michigan, que angariou fundos para Biden e, posteriormente, para Harris, citado pela agência norte-americana Associated Press (AP).
Alguns candidatos democratas, sobretudo em estados onde Trump venceu por larga margem, têm recusado a possibilidade de fazer campanha ao lado da antiga vice-presidente.
Outros dirigentes defendem, contudo, que Harris deve poder avaliar sem pressões uma eventual candidatura presidencial.
"Kamala não tem qualquer prazo para decidir se se candidata a qualquer cargo", afirmou Donna Brazile, antiga presidente do Comité Nacional Democrata e responsável pela campanha presidencial de Al Gore em 2000.
Brazile considerou uma "perda de tempo" continuar a discutir a campanha de 2024 e defendeu que os potenciais candidatos à Casa Branca deveriam seguir o exemplo de Harris e apoiar os democratas nas eleições intercalares.
A deslocação ao Michigan poderá também expor divergências internas do Partido Democrata, particularmente em torno da guerra na Faixa de Gaza.
Durante a campanha de 2024, as comunidades árabe-americanas do estado manifestaram forte descontentamento com o apoio de Biden às operações militares israelitas e com a decisão de Harris de não se afastar dessa posição.
El-Sayed, pelo contrário, é um crítico de Israel e descreveu a guerra em Gaza como um genocídio contra os palestinianos, acusação rejeitada pelas autoridades israelitas.
A visita da ex-vice-presidente representa, por isso, uma oportunidade para "unir comunidades que muitas vezes foram divididas por acontecimentos recentes", afirmou El-Sayed.
A presença de Harris será também observada pela ala progressista do partido, com a qual a antiga vice-presidente mantém uma relação difícil.
A agenda de campanha de Harris tem sido mais limitada do que a de outros potenciais candidatos presidenciais, incluindo Pete Buttigieg, antigo secretário dos Transportes de Biden, que visitou recentemente a Carolina do Sul e tem participado em ações de apoio a candidatos democratas.
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