Portugal cresce e cria empregos, mas não estamos mais ricos
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Bom dia. As notícias da economia, se pensarmos em Portugal comparando com o conjunto da União Europeia, até poderíamos pensar que tínhamos razões para estar contentes, porque nos últimos anos, como muitas vezes é repetido, temos crescido um pouco mais depressa. Só que quando, em vez de nos compararmos com o conjunto da União Europeia, nos comparamos com os países com os quais nos devemos comparar, a coisa muda um pouco de feição. Isto tem muito a ver com o facto de os grandes países da União Europeia, aqueles que pesam mais nas contas da União Europeia, como por exemplo a Alemanha, como por exemplo a França, como por exemplo a Itália, estarem com prestações económicas muito medíocres e, portanto, já não serem as locomotivas da Europa como foram noutros tempos. E por isso talvez não sejam o melhor ponto de comparação, sobretudo se pensarmos que nós, como estamos um bocado para trás, convinha que nos chegássemos mais depressa à frente. Quando nos comparamos com outros países, nós falamos muitas vezes disso, sobretudo com os bálticos, com a Polónia, com países do antigo bloco de Leste, vemos que há diferenças. Se bem que haja países do nosso campeonato com que também vale a pena comparar, os países do sul, a Grécia, a própria Itália, a Espanha. E o que nós notamos é que, de facto, olhando, por exemplo, para o crescimento da economia, nós temos alguns dados que são aparentemente positivos. Agora, quando olhamos para outros indicadores, percebemos que o nosso principal problema é que nós trabalhamos muitas horas, mas a produtividade, a riqueza criada é insuficiente para nos aproximarmos da média europeia um pouco mais depressa, ou então em termos de produtividade, até para mantermos os lugares. Nós hoje em dia temos uma produtividade que é, em termos de média europeia, inferior à do ano 2000. É mau, como é óbvio. Estamos com 66,9% da produtividade em 2025. Em 2000 era 67,6% em termos de comparação com a média europeia. A nossa produtividade no ranking europeu é 24ª, estamos mesmo encostadinhos ao fim, era a 17ª em 2000. Há muitos bloqueios que convinha desbloquear. E alguns deles até podem ser, por exemplo, com boas intenções, só que depois há outras coisas no sistema que complicam isto tudo. Nós temos, neste momento, 21% dos contratos de trabalho por conta de outrem com salário mínimo. É uma barbaridade em termos de proporção. Eram apenas 5% há 25 anos. De repente, temos uma quantidade enorme de trabalhadores que ganham o salário mínimo. A Business Roundtable Portugal, pode ser que não é uma organização muito conhecida do público em geral, mas é uma organização importante porque junta 46 dos maiores grupos empresariais portugueses que, no fundo, financiam estudos e financiam formação para tentar puxar a economia portuguesa para cima. É basicamente isto. E isto em alguns trabalhos que fazem este. Mas voltando a este ponto, uma das contas que eles lá têm e que eu achei particularmente reveladora foi aquilo que eles chamam garrote fiscal, garrote fiscal marginal, para ser mais exato, à saída do salário mínimo.
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