Covilhã: Quercus denuncia abate de 1.400 sobreiros
A Quercus denunciou esta terça-feira a intenção de a Câmara da Covilhã abater 1.400 sobreiros para ampliar o parque industrial do Tortosendo no âmbito da revisão do Plano Diretor Municipal (PDM), que está em discussão pública até sexta-feira.
Em comunicado enviado à agência Lusa, a Quercus lembrou que o sobreiro é uma espécie protegida e que “dezenas dos 1.400 a abater são centenários”.
A associação ambientalista apelou ao Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) para que façam cumprir a lei.
Além do abate dos sobreiros, a associação garantiu que esta operação também vai afetar 10 casas de primeira habitação, que, através da expropriação, “darão lugar a novos lotes industriais”, quando “metade dos lotes da atual zona industrial estão vazios ou abandonados”.
A nível ambiental, para a Quercus, “este é um projeto com impactes muito significativos, uma vez que para além dos sobreiros já antigos e do bosque que os mesmos formam, existem duas linhas de água e três charcas”.
Denunciou ainda que “o relatório ambiental da revisão do PDM omite a existência dos sobreiros”, pelo que considerou que a Câmara mostra “uma atitude de má-fé”, porque “não referencia os mesmos na Carta de Condicionantes do Município”.
O presidente da Câmara da Covilhã, Hélio Fazendeiro, esclareceu à Lusa que todo este processo tem sido conduzido “de forma próxima e transparente”.
Afirmou também que a estratégia de desenvolvimento empresarial e industrial no concelho faz parte do compromisso programático e político apresentado à população nas últimas eleições.
“Nas eleições assumimos o compromisso de aumentar a oferta de solo e terreno industrial para atrairmos empresas, investimentos e, no fundo, honrarmos a história e a tradição covilhanense em termos da indústria, das empresas e do setor privado”, frisou.
O autarca disse que também já transmitiu ao Governo e às instituições regionais a disponibilidade para “acolher, no concelho, a área de desenvolvimento empresarial que está prevista no Plano de Desenvolvimento Regional do Centro e no Plano de Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR)”.
“Mas os 80 hectares em causa já estão perspetivados como área de expansão industrial há mais de 30 anos”, ou seja, “desde que foi criado o Parque Industrial do Tortosendo e foi construída a primeira e a segunda fase de implantação”.
O autarca reiterou que a área ficou sob reserva, mas “não estava ainda vertida no PDM e é isso que vai acontecer agora, o que permitirá também fazer a infraestruturação daquela área industrial”.
Garantiu que o município “conhece as limitações que existem” e que, “obviamente que a Câmara, sendo uma pessoa de bem, cumprirá todas as regras e as leis que existem para salvaguardar a sustentabilidade, o património e os direitos das pessoas”.
Quanto à consulta pública, Hélio Fazendeiro realçou que deveria decorrer em 30 dias, de acordo com a lei, mas a autarquia alargou para 45 dias úteis.
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