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Pedro Penim: "Neste momento, na nossa sociedade, o mal pavoneia-se e exibe-se sem qualquer filtro"

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Pedro Penim: "Neste momento, na nossa sociedade, o mal pavoneia-se e exibe-se sem qualquer filtro"

A ambição desenfreada, o poder e a culpa são os temas centrais de "Macbeth", a tragédia de William Shakespeare que se estreia esta sexta- feira no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, com José Raposo no papel principal. Sobre a peça, a reabertura do edifício do teatro, após três anos e meio de obras profundas, e esta temporada que agora começa falámos com o encenador e diretor artístico Pedro Penim .

Logo desde o início sabia que iria ser um desafio bastante grande porque não é necessariamente um território que me seja muito familiar. Normalmente quando faço estes grandes clássicos da dramaturgia mundial há sempre um processo de transformação bastante grande. Neste caso o desafio que para mim continua a ser - e é se calhar ainda mais experimental - é de tentar respeitar ao máximo as ideias originais da peça e do autor e por isso decidi responsabilizar-me também pela tradução, o que foi talvez o gesto criativo mais definitivo porque precisei de me encontrar também como tradutor de Shakespeare e agora também, durante os ensaios, com a adaptação dos corpos e das vozes dos atores a esta obra. Ao mesmo tempo, existe a relação muito estreita com a história da própria instituição porque esta é a tal "peça maldita" que estava em cena no dia 2 de dezembro de 1964, quando o teatro ardeu por completo. Há uma espécie de provocação a esta maldição, a peça de reabertura relaciona-se com a história do próprio edifício.

Acho que a integridade da peça não precisa necessariamente dessa procura incessante de sinais que dialoguem com o nosso tempo porque é uma peça icónica e que não precisa dessa caução, ela já sobrevive por si sem precisar desse diálogo com os acontecimentos do nosso tempo. Contudo, há temáticas que eu acho que nos são neste momento muito próximas. Por exemplo, a ideia de um certo fascínio do mal, que está também na origem da escrita da peça, que quando foi escrita, no século XVII, tinha também o propósito de servir como uma espécie de aviso à corte inglesa porque havia muitos rumores de que ia haver traição e tentativas de regicídio. Neste momento, na nossa sociedade, parece-me que é muito evidente que o mal se pavoneia, até, e se exibe sem qualquer filtro - e eu sinto-o, pelo menos, como uma espécie de novidade, tenho sentido que o mal está tão exposto e é tão orgulhoso daquilo que apregoa. E a peça lida essencialmente com esse fascínio do mal. Então, colocá-la em cena acaba inevitavelmente por dialogar com muita coisa que está a acontecer neste momento no nosso país.

Disse que a escolha do José Raposo era uma escolha óbvia para o protagonista. Que Macbeth é o José Raposo?

Eu pensei imediatamente no José Raposo , também relacionado com aquilo que estava a dizer desta ideia do fascínio sobre o mal, porque o José Raposo é eventualmente um dos atores mais amados pelo público português, acho que não há ninguém que não goste do José Raposo, ele tem a capacidade de ser um ator ao mesmo tempo muito popular mas também muito capaz e com muitas ferramentas.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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