Rei de Marrocos defende reforço na luta contra imigração irregular
O rei de Marrocos, Mohamed VI, defendeu hoje um maior reforço na luta contra a imigração irregular, sublinhando avanços significativos com Espanha, mas admitiu, porém, que o atual modelo de cooperação "atingiu os seus limites".
Mohamed VI, que discursava em Rabat na abertura da primeira sessão do primeiro ano legislativo da 12ª legislatura, salientou que o Reino de Marrocos "conseguiu consolidar a sua posição internacional como um parceiro responsável, fiável, empenhado no cumprimento dos seus compromissos".
"Contudo, é preciso reconhecer, com coragem e objetividade, que o modelo atual de cooperação atingiu os seus limites, como evidenciam claramente as crises recorrentes.
A mesma análise é válida para a nossa vizinha Espanha, com a qual temos vindo a alcançar avanços significativos em vários domínios, incluindo a luta contra a imigração irregular", salientou o monarca alauita num discurso a que a agência Lusa teve acesso.
Para Mohamed VI, essa cooperação, no entanto, "enfrenta hoje grandes desafios, ligados a disposições legais ultrapassadas e decisões judiciais desvinculadas da realidade".
"Infelizmente, tal situação dificulta o repatriamento de menores e de pessoas que usurpam o estatuto de refugiado e alimenta a atuação das redes criminais.
Perante declarações irresponsáveis de certos setores políticos e mediáticos e a sua flagrante instrumentalização da situação, afirmamos que a cooperação é uma escolha soberana e um compromisso voluntário, que não pode ser objeto de pressão, ameaça ou chantagem", sustentou.
Marrocos, acrescentou, irá apresentar aos seus parceiros um documento com uma visão estratégica "clara e prática", que contém uma nova orientação para promover o codesenvolvimento, a competitividade económica e a estabilidade regional.
"Também temos razões para nos orgulharmos dos nossos avanços políticos e diplomáticos, dos progressos económicos e sociais e dos níveis de desenvolvimento que transformaram o panorama do Marrocos. (…) O orgulho nacional não é uma forma de vaidade, nem uma expressão de autossatisfação.
É antes o catalisador que transforma a pertença em responsabilidade, a confiança em dever nacional", comentou o monarca.
"Num contexto internacional marcado pela aceleração das mudanças geoeconómicas, o nosso país comprometeu-se, com uma visão clara, numa nova dinâmica de reformas e grandes projetos.
Hoje, além da ativação dos projetos de infraestrutura em curso, deve ser lançada uma nova geração de grandes estratégias, como nos setores da segurança hídrica, energética e alimentar, do desenvolvimento industrial, da economia digital e da inteligência artificial", explicou.
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