Investigadores da FMUP traçam perfil de queixas cognitivas suspeitas de doença de Alzheimer
O estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto identifica um conjunto de sinais associados a maior risco de doença neurodegenerativa e reforça importância do diagnóstico precoce.
Ter mais de 76 anos, apresentar apatia e procurar sistematicamente o olhar de um familiar ou cuidador durante uma consulta são alguns dos sinais que podem ajudar a identificar pessoas com maior risco de desenvolver uma doença neurodegenerativa, como a doença de Alzheimer.
“Descobrimos que pessoas com um determinado perfil de queixas cognitivas e antecedentes médicos apresentavam maior risco de desenvolver demência”, explica Rui Araújo, defendendo uma vigilância particular destes casos, sobretudo quando não estão disponíveis exames complementares específicos.
Queixas cognitivas nem sempre significam demência As queixas relacionadas com memória e outras capacidades cognitivas são frequentes e constituem uma das principais razões para o encaminhamento para consultas de Neurologia.
No entanto, segundo o investigador, estes sintomas não significam necessariamente a existência de uma doença neurodegenerativa.
“É fundamental identificar bem este perfil de risco.
As queixas cognitivas são altamente prevalentes e motivam a maior parte dos pedidos de consulta de Neurologia, mas não significam necessariamente que exista uma doença neurodegenerativa”, afirma.
A ansiedade e a depressão são exemplos de problemas de saúde que podem provocar sintomas semelhantes e dificultar a distinção entre alterações cognitivas potencialmente relacionadas com uma doença neurodegenerativa e queixas com outras causas.
Na população estudada — constituída por doentes observados numa consulta de Neurologia no norte de Portugal — foram também identificadas alterações nos chamados testes “de cabeceira”, com resultados abaixo do esperado tendo em conta a idade e a escolaridade.
Esta associação assumiu particular relevância entre pessoas com queixas cognitivas que não apresentavam antecedentes de doença psiquiátrica.
Apatia merece atenção Entre os sinais identificados, a apatia surge como uma das queixas a que deve ser dada especial atenção.
A par da idade mais avançada e de determinados comportamentos observados durante a consulta, pode contribuir para definir um perfil de maior risco.
Para Rui Araújo, reconhecer estes sinais é importante porque permite selecionar os doentes que poderão beneficiar de uma investigação mais aprofundada.
O diagnóstico precoce pode levar à realização, quando clinicamente indicada, de exames imagiológicos, avaliações neuropsicológicas e análises bioquímicas, permitindo esclarecer a origem das alterações cognitivas.
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