Von der Leyen inicia discussão sobre quem vai pagar Aliança para os Seguros Climáticos
A Comissão Europeia vai criar uma Climate Insurance Alliance (Aliança para os Seguros Climáticos) para aumentar a cobertura seguradora dos fenómenos meteorológicos extremos, anunciou esta quarta-feira Ursula Von der Leyen no discurso sobre o Estado da União , perante o Parlamento Europeu.
A iniciativa surge depois de um verão marcado por incêndios, secas e ondas de calor em vários países europeus e pretende responder ao elevado natural catastrophe protection gap existente na Europa.
“ Apenas cerca de 25% das perdas causadas por catástrofes na Europa estão cobertas por seguros privados”, afirmou a presidente da Comissão Europeia, acrescentando que, demasiadas vezes, os orçamentos nacionais acabam por funcionar como “segurador de último recurso”.
O discurso sobre o Estado da União em dez pontos Ler Mais A nova aliança deverá reunir seguradoras, investidores, modelizadores de risco, autoridades públicas e tomadores de seguros para identificar formas de aumentar a adesão ao seguro e desenvolver instrumentos que permitam cobrir riscos que estão atualmente insuficientemente protegidos .
Entre as soluções que deverão ser analisadas estão os seguros de grupo e os seguros paramétricos , nos quais o pagamento é acionado automaticamente quando determinados parâmetros previamente definidos — como níveis de precipitação ou temperatura — são atingidos.
A Comissão não apresentou, nesta fase, um fundo europeu, um seguro obrigatório ou um mecanismo financeiro já definido .
A iniciativa será, portanto, desenvolvida nos próximos passos pela Comissão e pelos participantes que venham a integrar a aliança.
O anúncio europeu surge num contexto em que o problema do protection gap (lacuna de proteção) já vinha sendo estudado pelas autoridades de supervisão.
A EIOPA, supervisor europeu das seguradoras e fundos de pensões, mantém um painel europeu específico sobre o défice de proteção contra catástrofes naturais, com dados de 30 países europeus, que combina perdas económicas e seguradas, estimativas de risco e níveis de cobertura.
A autoridade concluiu que, entre 1980 e 2024, apenas cerca de um quarto das perdas provocadas por fenómenos extremos e relacionados com o clima na Europa estava segurado.
O painel permite ainda analisar a situação por país e por tipo de risco, incluindo inundações e sismos.
Também o Banco Central Europeu (BCE) e a EIOPA já tinham apresentado uma arquitetura possível para responder ao problema.
Num trabalho conjunto publicado em 2023, defenderam uma abordagem em “escada” ( ladder approach ), distribuindo as perdas por diferentes níveis e combinando seguro privado, resseguro, instrumentos do mercado de capitais e intervenção pública.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.