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O teu escândalo é pior do que o meu

Diário de Notícias ·

Fábio Luís Lula da Silva é alvo de três investigações: na primeira, a polícia apura se o primogénito de Lula da Silva e lobistas atuaram junto do Ministério da Saúde para viabilizar negócios de medicamentos à base de cannabis para obter contratos e facilitar interesses privados; na segunda, se Lulinha traficou influência, a favor de um empresário, em negociações envolvendo a empresa pública Dataprev, ligada à Segurança Social brasileira; e na terceira, se o autointitulado “empresário” participou na fuga de informações públicas sigilosas.

Flávio Bolsonaro está na mira das autoridades diretamente numa investigação e indiretamente em duas: a polícia apura onde param e como foram gastos os milhões que o primogénito de Jair Bolsonaro pediu ao banqueiro Daniel Vorcaro, protagonista da maior fraude financeira da história do Brasil, para pagar o filme Dark Horse , sobre o ex-presidente; noutra frente, a polícia quer verificar se parte desses milhões foram enviados para os EUA para pagar despesas no país de Eduardo Bolsonaro, irmão do candidato presidencial; e noutra ainda se a produtora do Dark Horse assinou contratos ilícitos com a Prefeitura de São Paulo.

Em suma, Lulinha é alvo de três inquéritos.

Flávio, embora citado em mais dois, só de um.

Ponto para Flávio.

Porém, no escândalo do filho de Bolsonaro é ele mesmo o visado, enquanto que Lula não tem nada a ver com o caso do seu filho, um homem de 51 anos, maior e vacinado.

Ponto para Lula.

Mas este caso pode envolver dinheiro público, o do filme, à partida, não.

Ponto para Flávio.

Lula, entretanto, já disse que se for culpado, Lulinha deve pagar como qualquer outro cidadão.

Na legislatura anterior, Sergio Moro, o ministro da Justiça, demitiu-se porque Bolsonaro queria blindar os filhos de investigações policiais.

Ponto para Lula.

E esse jogo – chamado “o teu escândalo é pior do que o meu” – continuará até ao dia da eleição.

Um jogo que, no fundo, é mais um exemplo de tu quoque , em latim, ou de whataboutism , em inglês, traduzível em ambos os casos por “e tu também”, a retórica propagandística que consiste em responder a uma acusação com uma contra-acusação em vez de se defender da acusação original.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

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