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Que Se Lixem As Eleições | Política, liberdade e amor segundo Jorge Palma

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Que Se Lixem As Eleições | Política, liberdade e amor segundo Jorge Palma

Esta pode revelar-se a ideia mais parva que alguma vez tive para um texto. Conforme o arranco, não sei se levará a algum lado. Mas morreu-nos o Jorge Palma, e não sei bem como é que a gente vai continuar sem ele a mostrar-nos a estrada para andar. Há ventos e mar, te-los-emos sempre, mas já não há o Palma, e há meio século que ele não nos faltava.

Dizem os amigos dele (eu não me contava entre esses, era só um fã, entusiasta mas tardio) que o Palma era generoso, altruísta e solidário. Um tipo bom e reto com um percurso sinuoso. Tinha currículo e cadastro, e nisso era como quase todos nós, mesmo se nós, os que não somos o Palma, empolamos o currículo e escondemos o cadastro. Ele não empolava nem escondia. Era. Só. Um tipo com altos e baixos e um talento incomum. Enorme. O Palma era um gigante. E quando os deuses brincam, é para magoar.

Foi um português único, foi tentar outro país, mas voltou sempre, era português até à última molécula. E sabia-nos de ginjeira. Conhecia as minudências dos que ficam a refilar na bicha para um lugar ao sol, e os labirintos profundos do país.

Ai Portugal, Portugal, do que é que tu estás à espera? Tens um pé numa galera e outro no fundo do mar. Tantos ensaios sobre o mal português, e tudo condensado em quatro versos. E mais três: Ai, Portugal, Portugal, enquanto ficares à espera, ninguém te pode ajudar.

Podendo parecer que não, sim, este é um texto sobre política, como é suposto ser. É um texto sobre um tipo como nós que tinha a sorte, ou a maldição, de ser músico e musicar a compra de tabaco no café da esquina com progressões Beethovenianas, e de ser poeta e escrever política com poesia, mesmo quando escrevia sobre amor. Ou sobretudo quando escrevia sobre amor, porque o amor é livre, o amor liberta, e a liberdade é política. Para quem ama a liberdade, o importante é nunca parar. Como para quem ama o amor.

Talvez, quem sabe, a liberdade comece sempre a ser asfixiada, cercada, cerceada, ameaçada, quando paramos. Ou quando deixamos de saber quanto vale um beijo, um abraço, a mão que se estende a quem está ao lado, o braço que se dá a quem chega de longe.

Encosta-te a mim, nós já vivemos cem mil anos. Encosta-te a mim. Tu e eu, de braço dado. Troquemos segredos e abraços. Dá-me lume, não deixes o frio entrar. Eh, pá, deixa-me abrir contigo, desabafar contigo, falar-te da minha solidão. Põe-me o braço no ombro, eu preciso de alguém.

Não há amor nem liberdade sem empatia, sem saber quanto vale um beijo, sem lamber uma lágrima e conhecer os cambiantes do seu sabor. Sem ouvir a solidão do outro, sem se pôr nos seus sapatos. Temos tido tão pouco disto tudo neste tempo de nuvens negras que nos carregam sobre a cabeça. Não há liberdade se entra o frio. Não há amor se se perde a capacidade de escutar. Não há empatia se há um divórcio entre o dentro e o fora.

Querem liberdade? Oiçam a “Estrela do Mar”.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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