Família de ex-moderadora do Facebook exige indemnização à Meta pelo seu suicídio
A família de uma ex-moderadora de conteúdos do Facebook, que se suicidou no passado domingo, em Lyon, França, vai exigir uma indemnização à Meta e à empresa subcontratada Telus, por considerar que a morte está relacionada com o stress pós-traumático que a mulher sofria desde que deixou a empresa, em 2025.
Segundo avançou o El Periódico de Catalunya e confirmou à EFE Roberto Castro, o advogado que representa a família da antiga moderadora, ainda estão a ser avaliadas as ações judiciais a instaurar na sequência do suicídio. A intenção, contudo, é reclamar uma indemnização entre 200 mil e 500 mil euros, sem excluir a possibilidade de recurso à via penal, por alegada “responsabilidade direta” das empresas na morte da trabalhadora.
O escritório de advogados Bastet, do qual faz parte Roberto Castro, acompanha uma ação laboral apresentada por mais de 700 antigos moderadores do Facebook e do Instagram, que exigem à Meta e à Telus uma indemnização de 100 mil euros pelos danos psicológicos e morais que afirmam ter sofrido devido à exposição a conteúdos violentos e sensíveis que tinham de analisar e filtrar.
A mulher que morreu fazia parte desse grupo de cerca de 700 trabalhadores que processaram a Meta e a CCC Barcelona Digital Services, empresa detida pelo grupo canadiano Telus International, que empregava moderadores para filtrar conteúdos do Facebook nas instalações da Torre Glòries, em Barcelona.
Segundo Castro, o escritório dispõe de correios eletrónicos enviados pela ex-moderadora, nos quais esta relatava os problemas de saúde mental que o trabalho na Telus lhe tinha provocado. A mulher trabalhou na empresa entre 2022 e 2025.
Em 2023, acrescentou o advogado, a trabalhadora começou a apresentar sintomas de stress pós-traumático devido à exposição aos conteúdos que tinha de analisar, alguns dos quais de extrema violência, o que levou à baixa médica. Acabou por acordar a cessação do contrato com a empresa, que lhe pagou uma indemnização de 2.000 euros.
Em abril de 2025, a Meta rescindiu o contrato de moderação de conteúdos que mantinha com a Telus em Barcelona, uma decisão que resultou no despedimento coletivo de cerca de 2.000 trabalhadores.
Paralelamente, um tribunal de Barcelona está a investigar uma queixa apresentada por moderadores de conteúdos da Meta por alegados crimes contra os direitos dos trabalhadores, ofensas corporais por negligência grave e contra a integridade moral, devido aos danos que afirmam ter sofrido com a filtragem de conteúdos, alegando que as empresas não dispunham de um plano de prevenção de riscos psicossociais.
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