"O piano era o meu brinquedo": Jorge Palma, o cantor que ...
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Não se fala de outra coisa. O país, a cultura portuguesa está de luto. Morreu esta noite o cantor e compositor Jorge Palma, aos 76 anos, vítima de paragem cardiorrespiratória. Ícone da música nacional, deixa um patrimônio incalculável de 14 discos originais, mais de meio século de canções que definiram o espírito de liberdade de várias gerações. A família e a equipe do artista já reagiram, pedem que o país continue a celebrar a vida de Jorge Palma através da música e das palavras que nos deixou.
Enquanto houver estrada pra andar, a gente vai continuar. Enquanto houver estrada pra andar. Enquanto houver ventos e mar, a gente não vai parar. Enquanto houver ventos e mar.
Começou a ter aulas de piano aos seis anos. Entrou no Conservatório de Música de Lisboa aos 10, mas começou a tocar antes disso, em casa, onde havia um piano. Disse numa entrevista: "Era o meu brinquedo, tinha bom ouvido e as coisas que eu ouvia na rádio e no giradiscos reproduzia no piano. Tinha jeito pra aquilo e as pessoas repararam, a começar pela minha mãe, que também tinha estudado piano". Aos 14, abandonou a música clássica pra se dedicar ao pop rock e em 72 gravou o primeiro single em nome próprio, "The Nine Billion Names of God". O pagamento? Uma máquina de lavar roupa.
E um frigorífico, que deu um jeitão, não é? Porque na altura tinha acabado de casar com a primeira mulher. Pouco depois, já em 73, foi convocado pro serviço militar, mas decidiu abandonar o país e instalar-se na Dinamarca. Antes de partir, leiloou o tal pagamento dos eletrodomésticos pelos amigos. Em Copenhaga, trabalhou num hotel, na manutenção, na lavagem dos elevadores e na limpeza dos quartos. Regressou a Portugal logo a seguir, ao 25 de Abril.
Para aí umas 40 canções que podia tocar. Ele diz que nunca tocava duas vezes a mesma canção no mesmo dia. Isto pra variar, quando tocava na rua, no metrô, em Paris. E também fez amizade com muitos outros artistas de rua. Conta essas histórias nas várias entrevistas que deu ao longo do tempo, também aqui ao "Observador". Fala dessa importância de um café, o Mazé, ele diz, em Paris, onde se juntavam.
Exatamente. E iam trocar também as moedas que recebiam e que o dono do café os incentivava muito, porque eram clientes fixos. Tinham ali sempre algum rendimento. E essa experiência também. Eu acho que isso é uma das coisas mais interessantes no percurso do Jorge Palma, é que ele mistura esse lado da erudição, dos estudos clássicos do piano, depois com uma experiência de rua, pra além das suas próprias influências, que tu estavas a falar do Leonard Cohen.
Exatamente. Eu acho que era isso uma das principais razões do fascínio do Jorge Palma, de misturar esses dois universos à partida, tão diferentes. Ele disse isso várias vezes na entrevista, ali nos anos 80, em que tem os seus álbuns mais marcantes e das músicas que todos nós conhecemos, não era um grande sucesso de vendas. As músicas instalaram-se no nosso patrimônio coletivo.
Vão crescendo, vão entrando.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.