FC Porto-Arouca, 2-0 (crónica)
Se, no final do FC Porto-Arouca, sentiu que já tinha vivido aquela experiência algures no passado, é natural. Afinal, são já três vitórias seguidas dos dragões por 2-0 na Liga, a desta noite com mais coração e qualidade do que as anteriores.
Desse modo, os portistas isolaram-se na liderança do campeonato, deixando para trás um Arouca que só correu riscos depois de estar em desvantagem. E todos sabem o quão difícil é revertê-las contra as equipas de Farioli.
Chuva e trovoada em agosto, quem diria… Foi com este cenário de fundo que o FC Porto arrancou decidido em abalar, o quanto antes, a moral do Arouca, que chegou ao Dragão com um registo imaculado na Liga. E até mais um golo marcado do que os portistas .
Francesco Farioli apostou nos regressos de Alberto Costa e André Silva ao onze, mas foram William Gomes e Gabri Veiga que mais se evidenciaram. O médio espanhol a recuperar bolas e a desequilibrar no passe e o avançado brasileiro, explosivo na direita, a esticar sucessivamente o jogo em busca de uma brecha na defesa arouquense.
Elas até surgiram, todas criadas pela vertigem de William, que isolou Pepê aos 7 minutos e ficou ele próprio cara a cara com Arruabarrena, aos 34 minutos, depois de ter roubado a bola a Fontán, mas viu o guarda-redes do Arouca ganhar-lhe esse duelo individual.
Além desses lances, Gabri Veiga obrigou Arruabarrena a uma defesa apertada com um remate à entrada área (30m) e descobriu Froholdt na área contrária, mas o médio dinamarquês cabeceou à figura (45m).
A estatística ao intervalo dizia tudo sobre o jogo. 11 remates do FC Porto contra apenas um do Arouca, que surgiu apenas aos 43 minutos, numa cabeçada de Iván Barbero que saiu fraca para as mãos de Diogo Costa.
Os dragões conseguiam abafar as boas ideias dos lobos , que nunca abdicaram de tentar construir desde trás com o seu guarda-redes, mas aos portistas faltava outro rasgo para serem ainda mais incisivos no ataque.
Foi precisamente o que fizeram no arranque da segunda parte. Entre os minutos 53 e 59, viram dois golos serem anulados, um a Alberto Costa por falta sobre o guarda-redes e outro a Kiwior por fora de jogo posicional de André Silva, e Pepê cabecear com estrondo à barra.
Depois, Arruabarrena ainda fez mais um milagre, com duas defesas consecutivas ao minuto 62, antes de Gabri Veiga, na conclusão de uma transição rápida brilhante de William, fazer o Dragão libertar todo o stress acumulado e gritar, finalmente, um golo sem mácula.
As nódoas na exibição do FC Porto surgiram depois. A vantagem deixou a equipa nervosa, também por mérito do Arouca que se soltou mais no campo, e os erros começaram a aparecer em saídas de bola atrapalhadas perto da baliza de Diogo Costa, que deixavam os adeptos com os nervos em franja.
Mas esse período não se prolongou por muito tempo. Francesco Farioli mexeu bem, os azuis e brancos recompuseram-se em campo e voltaram a assaltar a área contrária com frequência. O 2-0 da praxe lá chegou, aos 87 minutos, apontado por Borja Sainz na conclusão da melhor jogada do encontro.
E o FC Porto lá prossegue, incólume, a defesa do título. Esta noite, deu um passo em frente no que toca à intensidade e à organização defensiva.
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