Aliança UE-Canadá. "Muitas destas iniciativas ficam no pa...
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De certa forma, pode ser visto, à luz daquilo que tem sido discutido nos últimos tempos, deste revisionismo sobre a ordem mundial, a formação de um bloco, mas felizmente que eles não utilizam essa expressão, nem von der Leyen, nem Carney, porque de facto o entendimento é diferente. É de aproximar o Canadá, que é um país que tem características europeias na América e que, de facto, tem estado sob uma tensão permanente com os Estados Unidos, muito exagerada até nos últimos tempos, em que os Estados Unidos têm ameaçado, sobre alguns dos produtos que vêm do Canadá, impor tarifas, algumas de 50% sobre uma parte, e algumas dessas sobre até a parte da indústria automóvel, que seria muito para prejuízo da indústria que está integrada, porque no fundo, muitas das peças e dos componentes cruzam muitas vezes a fronteira entre o Canadá e os Estados Unidos, o que até tornaria todo o processo muito complexo. Ora, mas como disse, e bem, o que foi interessante em Carney foi dar continuidade àquilo que tinha sido o ponto forte do discurso de von der Leyen. No fundo, ele assume-se como um possível membro associado. Claro que ainda não foi definido estatutariamente muito bem o que isto significa, mas também não devemos ficar sempre presos às conceções do passado em todos os países têm que ser membros. E é natural que até por questões geográficas, não seja um membro de pleno direito, mas por que não encontrar, com alguma imaginação, uma forma de instigar a cooperação e os laços entre as tais potências médias, como até disse Carney, na altura que foi empossado primeiro-ministro, porque as potências médias têm alguma importância, são muitas vezes democracias e conseguem encontrar formas de gerar entre si fluxos positivos, ele até usa uma expressão interessante, de sementes de comércio e de progresso. Ele diz de sementes porque contou aquela história do pinhal que já foi transportado primeiro da Europa para o Canadá, mas que depois voltou a voltar para a Europa. Portanto, com o gesto de que as mesmas sementes que fazem crescer as árvores do Canadá, que eram vindas da Europa, agora estamos a retornar. Ele insiste muito nesta ideia de que não somos aliados dos bons tempos, do fair weather. Isto não é apenas quando as coisas correm bem, numa clara alusão aos Estados Unidos e a esta forma muito errática com que Donald Trump trata os amigos e os inimigos, mudando de opiniões muitas vezes. Claro que o Canadá não será um membro da União Europeia, não será o membro 28, mas muito menos e muito mais difícil para o Canadá seria aceitar uma posição de estado número 51 dos Estados Unidos. E por isso, ele foi lembrando a fronteira que tem com a Europa, através da Groenlândia, e, portanto, partilhamos a fronteira, de certa forma, com a Dinamarca, e que não devemos esperar a perfeição. Todas estas relações têm sempre a sua complexidade, mas a perfeição é o inimigo do bom, temos é que formar uma resiliência coletiva.
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