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Passos Coelho anda por aí e incomoda muita gente. Porquê?

Observador ·
Passos Coelho anda por aí e incomoda muita gente. Porquê?

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Em boa parte é capaz de ser por isso. Quando há uma enorme presença no espaço público, as declarações acabam por vulgarizar-se. Se repararmos, os políticos que se transformaram em comentadores, por exemplo, às vezes geram muita brouhaha nos seus primeiros comentários, mas depois a pouco e pouco isso pode tornar-se repetitivo e o impacto público das suas declarações vai diminuindo. E mesmo políticos que têm tendência para estar sempre a comentar, estar sempre a aparecer, estar sempre a falar, acontece algo de semelhante. Nós recordamo-nos, por exemplo, do tempo em que era um político não ativo, mas tinha uma presença de comentário muito superior do que era habitual nos titulares da Presidência da República, que foi Marcelo Rebelo de Sousa, e a certa altura, a quantidade de comentários que fazia retirava algum peso aos momentos a esses próprios comentários. Comentários, às vezes até discursos públicos, intervenções, tinha esse efeito. Estou também a recordar-me, por exemplo, de Mário Soares. Mário Soares escreveu durante muitos anos uma coluna semanal e a certa altura deixou de ter atenção para isso. Até porque ele também tinha muitas outras aparições, estava em muitos outros lugares, ia a muitas conferências, também aparecia muitas vezes nas televisões. Portanto, perdeu esse impacto, independentemente do peso que tivesse ou não tivesse na opinião pública. O caso de Passos Coelho, e também anteriormente de Cavaco Silva, parece ser, com estilos diferentes e formas diferentes, pessoas que pesam a sua intervenção pública. O caso Passos Coelho, em concreto, é alguém que já foi convidado para ser comentador e nunca aceitou, que não dá entrevistas políticas, que me recordo há anos e anos. E que o tipo de intervenções que faz, agora estão a ser mais frequentes, mas por regra são intervenções em lançamentos de livros, um prefácio, aqui ou acolá uma conferência. Houve momentos em que de repente apareceram, foram muitos, aconteceram em quase catadupa, outras alturas em que nem estavam a acontecer, mas coincidiram depois a sua divulgação pública. Por exemplo, nós agora estamos a falar de um prefácio de um livro que vai ser publicado, aliás, o lançamento é só para o mês que vem, 7 de outubro. O livro já está publicado, eu já o tenho, já estive a ler o prefácio. Há uma coisa que na altura em que foi notícia não me recordo de ter sido referido. O prefácio está assinado 22 de junho. Massamá, 22 de junho. Foi escrito há quase três meses. Entretanto, há coisas que lá vêm referidas que até já se desatualizaram. Por exemplo, é referido que o governo está à espera de um estudo sobre as pensões e ele já foi divulgado. E é um dos pontos sempre muito importante quando se fala. Aliás, é um ponto muito importante, não só do livro, como é referido isso mesmo no prefácio. A outra intervenção pública é uma coisa que já vem daqui há muitos meses, não aconteceu nada de concreto, que é um estudo que está encomendado pela Associação Industrial do Porto a Pedro Passos Coelho e também a um antigo dirigente do Partido Socialista. Também não conhecemos o seu conteúdo.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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