O que é um membro associado e no que consiste a parceria UE-Canadá?
A presidente da Comissão Europeia convidou o Canadá para se tornar o primeiro membro associado formal da União Europeia, uma parceria que o primeiro-ministro canadiano considerou que pode “criar a próxima ordem mundial”.
A ser concretizada, esta nova aliança vai permitir alargar o mercado dos dois lados do Atlântico e cooperar em áreas vitais para a economia e resiliência de ambos.
A parceria, que está a ser anunciada pelos líderes da Comissão Europeia e do Canadá como uma aliança com base em valores comuns de democracia, constitui também uma resposta à postura agressiva da administração Trump dos Estados Unidos.
Trump ameaça UE com tarifas se admitir Canadá como membro associado Eis algumas perguntas e respostas sobe esta iniciativa.
O que é um “membro associado” da UE? Esta figura jurídica não existe nos tratados da União Europeia.
Constitui um modelo criado de propósito para a aproximação ao Canadá e não implica qualquer adesão ou entrada do Canadá no bloco europeu.
O Canadá não terá direito a voto nas instituições europeias, não adotará o euro e os canadianos e europeus não terão liberdade automática de circulação para trabalhar no território do parceiro.
Aquele país norte-americano passa, no entanto, a ter um estatuto ultra privilegiado de cooperação e vai sentar-se à mesa em debates estratégicos.
Além disso irá integrar programas europeus em áreas críticas, funcionando quase como uma extensão externa do bloco.
Ursula von der Leyen quer que Canadá seja o "primeiro membro associado" da UE O que levou a UE e o Canadá a esta parceria? A aliança foi acelerada sobretudo pelas tensões com os EUA, mas também pela concorrência da China e o alinhamento entre os respetivos líderes.
A atual administração de Donald Trump nos Estados Unidos tem agravado disputas comerciais e ameaçado com taxas aduaneiras pesadas, o que levou o Canadá, historicamente dependente do comércio com o vizinho, a procurar diversificar parceiros para proteger a sua economia.
As ameaças à soberania do Canadá e de países da Europa, nomeadamente da Dinamarca ao tentar anexar a Gronelândia, criaram também a necessidade de defender as democracias e juntar forças para manter o direito internacional.
Por outro lado, tanto a UE como o Canadá querem reduzir a dependência económica e tecnológica face a Pequim, sendo que o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, partilham visões semelhantes sobre os valores ocidentais.
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