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Myanmar. Dezenas de milhares de rohingya protestam

Observador ·
Myanmar. Dezenas de milhares de rohingya protestam

Dezenas de milhares de refugiados rohingya protestaram esta terça-feira contra as precárias condições de vida nos campos do Bangladesh, nove anos depois do início do êxodo desta minoria muçulmana de Myanmar.

Cerca de 1,2 milhões de rohingya vivem atualmente concentrados no distrito de Cox’s Bazar, no sul do Bangladesh, junto à fronteira com Myanmar (antiga Birmânia), naquela que é considerada a maior concentração de refugiados do mundo, segundo as Nações Unidas.

No nono aniversário do início do êxodo, o Conselho Unido Rohingya (UCR) apelou à comunidade para “recordar as atrocidades cometidas” e denunciar a “crise humanitária em curso”.

Dezenas de milhares de refugiados participaram em cerimónias realizadas em vários campos exibindo cartazes com mensagens como “Justiça para os rohingya, a nossa esperança é voltar a casa” e “Chega de genocídio”.

“O exército tomou posse das nossas terras há nove anos”, afirmou Sabikunnahar, uma refugiada de 32 anos que chegou a Cox’s Bazar em 2017 para escapar à repressão militar em Myanmar, durante a qual vários familiares foram mortos.

“Hoje, o meu coração ainda está destroçado. Os meus olhos ainda estão cheios das lágrimas que verti pelo meu país”, acrescentou a refugiada.

À vaga de refugiados de 2017 seguiram-se novos movimentos de população provocados pela guerra civil desencadeada pelo golpe militar de 2021 em Myanmar, conflito que já provocou mais de 100 mil mortos, segundo a organização não governamental norte-americana ACLED.

As condições nos campos de Cox’s Bazar deterioraram-se devido à sobrelotação e à redução da ajuda financeira internacional, que obrigou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) a diminuir a assistência alimentar.

As rações disponíveis permitem atualmente cobrir “apenas 20 dias, no máximo, por mês”, afirmou um refugiado identificado como Salam.

A falta de perspetivas tem levado milhares de rohingya a tentar abandonar os campos por mar, utilizando frequentemente embarcações precárias para chegar a outros países da região.

Mais de 6.500 rohingya tentaram atravessar o Oceano Índico em 2025 e quase 900 morreram ou desapareceram durante essas viagens, segundo o ACNUR.

“Não podemos esperar mais que a comunidade internacional permita o nosso regresso a casa”, afirmou Sayed Ullah, responsável do UCR, avisando que os refugiados poderão decidir “tomar o destino pelas próprias mãos”.

O Bangladesh, que considera não ter capacidade para suportar indefinidamente a presença de mais de um milhão de refugiados, tem defendido o regresso dos rohingya a Myanmar.

A repressão desencadeada pelas forças de Myanmar contra os rohingya em 2017 está a ser analisada num processo por genocídio no Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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