CFP revê crescimento em alta este ano para 2,2%, mas antecipa défices à boleia da defesa
Mais crescimento, mas também mais inflação e um regresso aos défices, que se tornarão mais expressivos até final da década à boleia dos gastos militares: o Conselho de Finanças Públicas (CFP) atualizou esta quinta-feira as suas projeções macroeconómicas e, apesar de rever em forte alta o crescimento este ano de 1,6% para 2,2%, alerta para a subida da inflação e sobretudo para os resultados orçamentais, que se deteriorarão significativamente até 2030.
No documento publicado esta quinta-feira, a instituição liderada por Nazaré Costa Cabral destaca que a subida do investimento público tem permitido suportar o desafiante enquadramento externo, bem como a resistência demonstrada pelo bloco euro, pelo que a economia deverá crescer mais este ano do que o CFP havia estimado em abril.
Do lado externo, o relatório destaca a guerra no Golfo Pérsico e subsequentes efeitos no petróleo, a seca no continente europeu e o aperto monetário na zona euro como principais determinantes do crescimento nacional, ao passo que, internamente, a “política orçamental expansionista e pró-cíclica, em parte explicada por despesa financiada com fundos europeus”, irá ajudar o crescimento.
“A revisão em alta do crescimento é transversal às várias componentes da despesa”, detalha o CFP, com o consumo a crescer agora 3,2%, bem acima dos 2,1% projetados em abril, bem como o investimento, revisto em alta de 4,3% para 5,9% à boleia de investimentos num centro de dados em Sines.
Ainda assim, o crescimento deverá ir abrandando nos anos seguintes até 1,6% em 2030, à medida que abranda o crescimento dos salários e o investimento recua com o fim dos fundos europeus.
Esta projeção fica em linha com o já manifestado no anterior relatório de abril.
Crise energética agrava preços Por outro lado, a crise energética em curso fez subir as perspetivas relativas à inflação.
Este ano deve fechar com 3,2%, uma revisão em alta de 0,3 pontos percentuais (pp) e marcando o fim da “trajetória de moderação que se registava desde 2022”.
O indicador de preços deverá moderar a partir do próximo ano, sendo expectável uma queda em 2027 para 2,6%, embora a componente alimentar continue a pressionar, sobretudo fruto da seca na Europa e dos fenómenos extremos associados ao El Niño, além da paralisação das exportações de cereais pelo Mar Negro.
Dada a incerteza em torno do conflito no Golfo Pérsico, o relatório inclui ainda análises de cenários mais adversos para a economia nacional.
Numa hipótese em que o barril de petróleo se mantém acima de 100 dólares (87,94 euros) no quarto trimestre deste ano e “acima dos níveis do cenário de base até 2028”, o crescimento português seria 0,1 pp menor este ano e 0,6 pp no próximo, enquanto a inflação fica 0,2 e 0,6 pp acima do esperado este ano e em 2027, respetivamente.
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