Exército israelita abre inquérito criminal à morte de Hind Rajab
As Forças de Defesa de Israel (FDI) divulgaram as conclusões das investigações preliminares sobre cinco "incidentes excecionais ocorridos durante os combates" no território palestiniano, tendo decidido arquivar três, que causaram a morte de trabalhadores humanitários das organizações não-governamentais World Central Kitchen e Médicos Sem Fronteiras.
Em contrapartida, as FDI abriram inquéritos a dois outros ataques de grande repercussão contra palestinianos durante a guerra em Gaza: o que resultou na morte de Hind Rajab e família, e outro que vitimou 15 paramédicos palestinianos.
Relativamente a Hind Rajab, que se tornou um símbolo da guerra, o corpo da menina foi encontrado sem vida num carro crivado de balas em Gaza onde seguia com tios e primos, vários dias após a criança ter sido ouvida pela última vez, durante uma longa e desesperada chamada telefónica com a organização de socorro Crescente Vermelho palestiniano, a 29 de janeiro de 2024, a pedir auxílio desde o interior da viatura, rodeada de familiares mortos.
A ambulância enviada para a salvar também foi atingida pelo exército israelita quando estava prestes a socorrer a menina, tendo os dois paramédicos morrido, e os corpos das nove vítimas destes ataques só viriam a ser recuperados vários dias depois, depois da retirada das forças israelitas da área.
Este caso deu mesmo origem a um filme, a "A Voz de Hind Rajab", da tunisina Kaouther Ben Hania, galardoado com o Leão de Prata do Festival de Veneza e nomeado para Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.
A abertura dos dois inquéritos segue-se à análise, pelo exército israelita, de 150 incidentes relacionados com a conduta das tropas em Gaza, tendo sido então tomadas decisões sobre cinco casos.
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