Pai do adolescente que matou mãe em Algés começa a ser julgado hoje
J osé Irlano Maciel Alves, pai do adolescente que matou a mãe, em Algés, no passado mês de agosto, começa esta terça-feira, 15 de setembro, a ser julgado no Tribunal de Cascais, pelos crimes de violência doméstica e violação.
O homem, que está em prisão preventiva há quase um ano, desde outubro de 2025, responde pelo crime de violação agravada da ex-companheira, Gabriela Barbosa, assassinada, entretanto, pelo filho mais velho de ambos. E por três crimes de violência doméstica, contra ela e contra os dois filhos do casal, de 15 e 4 anos.
Segundo a acusação do Ministério Público (MP), citada hoje pelo Jornal de Notícias , o brasileiro terá agredido a mulher durante anos. Ameaçava, controlava, batia e até violava Gabriela, enquanto nas redes sociais ambos pareciam viver uma relação feliz.
"Se não ficares comigo não ficas com mais ninguém" e "eu vou-te matar", são apenas algumas das ameaças preferidas, segundo a acusação, pelo arguido, que terá também dado pontapés, murros e até apertado o pescoço à mulher, a quem controlava telemóvel e conta bancária e impedia, em alguns momentos, de sair de casa e trabalhar.
Gabriela terá tentado pôr um ponto final na relação várias vezes, mas José descobria sempre onde ela estava. Em 2024, o relacionamento terá chegado ao fim mas o casal continuou a viver na mesma casa, com os filhos. E o brasileiro continuou a pressionar a ex para terem relações sexuais, sob ameaça.
A 25 de abril de 2025, José terá expulsado Gabriela e os filhos de casa. A mulher foi acolhida numa casa-abrigo, mas regressou dias depois com as crianças. Meses depois, em agosto do ano passado, o filho mais velho interveio para defender a mãe durante uma agressão e acabou também envolvido numa luta com o pai.
O MP acredita que José Alves foi violento também com os filhos, incluindo com o adolescente que acabou por matar a mãe, em agosto passado.
Segundo a acusação, o rapaz, atualmente com 15 anos, era vítima de agressões e insultos frequentes. Além de empurrões o progenitor dizia-lhe: "és um lixo, nunca vais ser ninguém, maldito, moleque, vagabundo, bandido".
Já à menina, o pai trancava na casa de banho quando esta chorava, "sem a acudir".
Na noite de 13 para 14 de outubro de 2025, após mais uma violenta discussão, José terá obrigado Gabriela a ter relações sexuais e, posteriormente, a estrangulado com as duas mãos, enquanto a ameaçava matar.
Segundo o MP, a filha mais nova estava deitada no mesmo colchão e assistiu a tudo, inclusive à violação e à mãe a ficar inconsciente.
Quando a PSP chegou à habitação, pela 1h da madrugada, encontrou a cidadã brasileira, de 33 anos, inconsciente e seminua. Depois desta recuperar os sentidos, revelou o que se tinha passado aos agentes e José foi detido "quase em flagrante delito".
No dia seguinte, a 15 de outubro, José foi colocado em prisão preventiva e assim se mantém até agora. O MP pede, além das penas pelos crimes de que está acusado, que seja proibido de contactar com as vítimas e afastado da residência familiar.
Entretanto, no passado dia 12 de agosto, Gabriela foi morta, não às mãos do marido, mas do filho de 15 anos, que no julgamento que começa hoje é também vítima.
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