Bases do Partido dos Trabalhadores do Curdistão evacuadas no Iraque
Os serviços de informações turcos confirmaram que o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) evacuou quatro bases no norte do Iraque, um passo importante para o processo de paz com a Turquia, noticiaram hoje os meios de comunicação turcos.
As bases, situadas nas regiões de Metina e Baze, foram evacuadas em 08 de outubro de 2026.
"Este avanço demonstra que o processo está a avançar com determinação", afirmou a imprensa, citando "fontes de segurança" — termo que geralmente se refere ao Departamento Nacional de Informações da Turquia (MIT).
Na quinta-feira, o PKK tinha declarado, através da agência de notícias curda Firat, que tinha retirado recentemente todos os seus combatentes do território turco, bem como das posições no norte do Iraque, "para que o Estado turco não os percebesse como uma ameaça".
Paralelamente, o movimento acusa o Governo do Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, de não dar continuidade ao processo de paz com a sinceridade e a rapidez necessárias.
Além disso, o PKK alega ter cumprido a sua parte, dois meses após a aprovação, pelo Parlamento, de uma lei histórica que abria caminho à reintegração dos seus militantes armados.
O texto condicionava a sua aplicação à constatação, por parte das "instituições de segurança", de que a organização tinha deixado de existir efetivamente e entregue todas as armas e munições sob o seu controlo, mediante a publicação de uma decisão do Conselho de Segurança Nacional confirmando esse facto no Diário da República.
O objetivo é assegurar a integração na sociedade dos membros do PKK, "que poderão regressar ao país mais tarde, beneficiando da lei", graças a "programas em diversas áreas, como a educação e a economia" , informou hoje a agência oficial Anadolu.
O Exército turco atacou constantemente esta zona fronteiriça estratégica no norte do Iraque durante a guerra.
O PKK mantinha bases na região e chegou a albergar ali, inicialmente, o seu quartel-general antes de o transferir mais para leste, para as montanhas Qandil, embora tenha preservado uma forte presença no local.
A lei aprovada em agosto não especificou qual seria o destino do líder curdo Abdullah Öcalan.
Aos 77 anos e preso em regime de isolamento desde 1999 na ilha-prisão de Imrali, a sul de Istambul, cumpre pena de prisão perpétua.
Foram recentemente criadas quatro subcomissões pela Turquia para supervisionar a dissolução do PKK. Öcalan participará numa delas, dedicada à entrega das armas do movimento, mas sem permissão para sair da prisão.
Cerca de 3.500 pessoas detidas em prisões turcas por atos relacionados com o PKK poderão ser libertadas, uma vez que a lei prevê a suspensão de processos e da execução de penas para autores de certas infrações.
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