Os novos recrutas da Defesa: startups e PME
O trocadilho é deliberado.
O que se afirma é que as startups e as PME podem, finalmente, deixar de observar o setor da defesa de longe para o integrar.
Num mercado tradicionalmente dominado pelos grandes conglomerados industriais – as chamadas empresas prime -, este movimento não é trivial.
Naturalmente, as empresas prime são, e continuarão a ser, a espinha dorsal da base industrial de defesa.
São elas que detêm a capacidade de integrar sistemas de enorme complexidade e de garantir a produção em escala, com os padrões de qualidade e fiabilidade que o setor exige – ativos que nenhuma startup ou PME consegue replicar no curto prazo.
Contudo, as empresas de menor dimensão podem ter um papel decisivo na cadeia de valor da defesa, fruto das suas competências especializadas e da sua capacidade de inovação.
Na atual conjuntura — em que as ameaças contemporâneas exigem respostas tecnológicas ágeis, inovadoras e de rápida implementação —, o contributo destas empresas pode ser particularmente valioso em domínios como a inteligência artificial, os drones, a cibersegurança e a computação quântica, especialmente relevantes no desenvolvimento de tecnologias de duplo uso, com aplicações simultaneamente civis e de defesa.
Uma das vias possíveis para concretizar a entrada no setor da defesa assenta num modelo de integração complementar com as empresas prime : estas funcionam como âncoras do sistema, podendo incorporar e ampliar a escala das soluções desenvolvidas pelas startups; as startups, por sua vez, encontram nos grandes grupos os parceiros com capacidade para fazer chegar as suas tecnologias ao mercado da defesa.
Este modelo pressupõe uma relação de simbiose, e não de concorrência.
As grandes empresas internacionais do setor podem igualmente desempenhar um papel determinante enquanto portas de entrada para cadeias de valor internacionais, abrindo a empresas nacionais mais pequenas o acesso a projetos a que, de outra forma, dificilmente chegariam por iniciativa própria.
Em consórcio, uma startup ou uma PME pode ganhar a dimensão e a capacidade competitiva que, isoladamente, não conseguiria alcançar.
A entrada no setor não é, porém, isenta de dificuldades.
É preciso inteirar-se do respetivo regime regulatório: licenciamentos, certificações, requisitos técnicos, de compliance , de segurança, exportações.
A morosidade dos procedimentos, em particular, de contratação pública, é outro ponto sensível.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.