O português, por princípio, queixa-se
Apesar de estarmos a crescer na economia, de haver emprego para todos, de haver estabilidade e segurança, abrimos a televisão e… todos se queixam.
E a culpa é sempre de alguma instituição ou de alguém a quem não podemos aceder.
E, se por acaso passamos a conhecer alguém a quem costumávamos atribuir as culpas, nunca seremos capazes de continuar a atribuir-lhe essa responsabilidade.
Só que a brandura só é qualidade quando parte de uma decisão consciente e proactiva e determinada de não optarmos pela agressividade, quando resulta apenas e só do comodismo da nossa vida, não é mérito, é defeito.
E é essa brandura que nos deixa a queixar-nos todos os dias sem que tomemos a responsabilidade de actuar no sentido de mudar a realidade e de obrigar a que aconteça aquilo que verdadeiramente ambicionamos e que nos faria viver mais satisfeitos.
Também porque a responsabilidade sobre os resultados das acções que tomamos é muito realizadora e aumenta-nos a auto-estima, torna-nos pessoas mais completas e, por isso mesmo, pessoas mais felizes.
Para alguns isto não seria boa notícia pois obrigaria, por exemplo, a que os media não pudessem apenas encher os noticiários com essas mesmas queixas que, podendo aliviar um pouco o fígado, em nada contribuem para melhorar as nossas vidas.
Teriam, isso sim, que encontrar formas de retratar boas notícias com interesse suficiente para que fossem lidas, vistas ou escutadas por esses novos portugueses que estariam mais felizes e menos queixosos de uma vida que, não permitindo a todos terem a vida cómoda e requintada de alguns países mais ricos, está muitíssimo acima daquilo que está disponível para a enorme maioria da população mundial.
Também os políticos teriam que trabalhar muito mais para apresentar medidas alternativas àquelas que são praticadas e não só maldizer e reproduzir a lista infindável de queixas que nos preenchem o nosso dia a dia.
E, quem sabe, sem esse manancial de queixas que vamos ouvindo diariamente, pudéssemos ter mais vontade de trabalhar e de trabalhar mais e melhor.
Gostando daquilo que é o nosso trabalho, tendo orgulho naquilo que são as nossas responsabilidades profissionais e procurando que o nosso trabalho dê os melhores resultados para o Bem Comum da nossa sociedade, de tal modo que a produtividade, hoje tão fraquinha neste nosso Portugal, possa ter um novo alento e nos ajude a crescer mais do que aquilo que hoje estamos a crescer.
Que o emprego não seja o castigo de que também nos queixamos e passe a ser o direito que temos a sermos pessoas realizadas.
Foram muito boas as férias e, por isso volto cheio de esperança de que seja possível mudar Portugal.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.