Irão promete enfrentar "DIA D económico" dos EUA apesar da situação
A República islâmica do Irão está há décadas sujeita a sanções económicas dos EUA que limitam o seu comércio com outros países e que, acima de tudo, dificultam a venda do petróleo, seu principal ativo.
A isto acrescenta-se o bloqueio que os Estados Unidos impuseram aos navios e portos iranianos no estreito de Ormuz no contexto da guerra.
"Já vimos este filme antes. A mesma história. Outros agressores", afirmou na rede social X o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, que recordou que, nos últimos anos, Washington tem aplicado várias campanhas de sanções contra o seu país, sem aparentemente alcançar os seus objetivos.
Por seu lado, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Ismail Bagaei, garantiu que "estas medidas não terão qualquer efeito na posição do Irão" na guerra.
Apesar do tom desafiador oficial, a situação financeira do país é grave e agrava-se mês após mês. A inflação homóloga em julho situou-se nos 87,9% e, no setor dos alimentos e bebidas, nos 128%.
O desemprego passou de 7,3% para 9,1% no último ano, com a perda de cerca de 450.000 postos de trabalho, de acordo com dados oficiais que não incluem os cerca de dois milhões de postos de trabalho perdidos durante a guerra.
Tudo isto alimenta o descontentamento entre uma população que vê a sua qualidade de vida deteriorar-se.
"A cada dia que passa ficamos mais pobres e até temos dificuldade em comprar os produtos básicos. Não sei até que ponto vamos conseguir aguentar esta situação desastrosa. As famílias estão a sofrer muito", afirma à EFE Nahid, uma moradora de Teerão de 64 anos.
A mulher explica que, em casa, comem cada vez menos carne e que agora se limitam ao frango, mais barato do que a carne de vaca.
Fatima, outra moradora de Teerão, de 39 anos, afirma ser impossível "alimentar os filhos como devia".
"No fim de contas, são sempre as pessoas comuns e os mais necessitados que pagam o preço da guerra e dos conflitos", diz à EFE.
A situação poderá agravar-se com as novas sanções, cujo conteúdo os EUA ainda não anunciaram, embora o secretário do Tesouro, Scott Bessent, tenha advertido os países que prestem "qualquer tipo de ajuda vital ao Irão" de que sofrerão consequências económicas.
Entre os países que ajudam o Irão encontra-se a China, que adquire cerca de 90% do petróleo iraniano a preço reduzido, e resta saber se esta vai apoiar as sanções norte-americanas.
Os Emirados Árabes Unidos (EAU) são outro parceiro económico fundamental para o Irão e anunciaram esta semana a suspensão de todas as suas relações comerciais e transações financeiras com o país persa.
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