Ataques dos huthis no mar Vermelho podem constituir crimes de guerra
A denúncia da organização não governamental (ONG) surge em plena nova campanha de ataques à navegação, na sequência do embargo marítimo imposto pelos insurgentes, que controlam Saná, capital do Iémen, e grandes áreas do norte e do oeste do país, a 20 de julho, contra embarcações ligadas à Arábia Saudita.
Os huthis justificaram a ação como resposta às restrições aéreas e marítimas impostas pela coligação liderada pela Arábia Saudita – uma aliança militar criada para apoiar o Governo iemenita internacionalmente reconhecido – às zonas controladas pelos rebeldes no Iémen, bem como aos bombardeamentos sauditas ao aeroporto de Saná.
A HRW dá conta de pelo menos três ataques que podem ser considerados crimes de guerra contra navios de carga com bandeiras da Arábia Saudita, Tanzânia e Dominica, uma vez que colocaram intencionalmente em risco a vida de tripulantes civis.
Entre os incidentes mais graves está o ataque com míssil balístico contra o navio de carga Tihamah, que matou seis pessoas — quatro marinheiros paquistaneses e indonésios e dois membros da Guarda Costeira iemenita — e feriu outras 10.
Embora os huthis tenham alegado que o navio transportava equipamento militar, a HRW salientou que "não apresentaram qualquer prova" e reiterou que o lançamento de um ataque desproporcional contra um navio com tripulação civil viola o direito internacional.
A ONG verificou também ataques com mísseis e drones contra os petroleiros Encelia, Daisy e Amzan, bem como contra o navio Massa da NCC, embora não tenham sido relatadas mortes nestes casos.
"Independentemente da situação geopolítica, os ataques contra tripulações civis, realizados deliberadamente ou por negligência, são crimes de guerra", afirmou Niku Jafarnia, investigador da HRW para o Iémen.
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