Nuno Melo acusa Chega de "difamação" e "falta de patriotismo" em audição sobre fragatas
O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, durante a audição regimental que decorre esta terça-feira no Parlamento, acusou o Chega de o ter " difamado" ao levantar dúvidas sobre a aquisição das três fragatas financiadas através do instrumento europeu SAFE .
Para o governante, " isto não é sério, é difamação pura" , por isso, lançou, "o que está em causa deixou de ser no domínio da política, passou a ser do domínio da justiça" .
Nuno Melo insistiu que o SAFE – o Instrumento de Ação para a Defesa da Euroa, que apoia um investimento de cerca de 5,8 mil milhões de euros para a aquisição de equipamentos – é um mecanismo europeu transparente e escrutinado, "auditado e usado por vários países.
Não há nada escondido” , afirmou, acrescentando que transformar uma audição regimental num palco de insinuações " não serve o interesse nacional" .
Para o ministro, o Chega ultrapassou o limite do escrutínio legítimo: " Questionar é legítimo; insinuar é irresponsável." Em determinada altura, por considerar que o Chega colocava em causa a aquisição dos equipamentos, Nuno Melo acusou o partido liderado por André Ventura de demonstrar "falta de patriotismo" ao pôr em causa um investimento que, segundo defendeu, reforça a capacidade militar do país.
" Atacar um programa que aumenta a nossa segurança coletiva é, no mínimo, pouco patriótico", declarou, sublinhando que Portugal precisa de "consenso na Defesa, não ruído político".
A acusação incomodou o coordenador do grupo parlamentar do Chega, o deputado Nuno Simões de Melo, que reagiu de imediato.
" Não admito que se ponha em causa o patriotismo do Chega" , disse, insistindo que o partido está a cumprir o seu papel.
Nuno Simões de Melo reforçou que levantar dúvidas sobre contratos de elevado valor é uma obrigação parlamentar.
" Questionar não é atacar Portugal", afirmou, acrescentando que o ministro não pode confundir crítica com deslealdade: "Patriotismo não é concordar com o Governo." Nuno Simões de Melo, que no início da audição acusara o ministro de ter uma " aversão ao escrutínio" , perguntou a Nuno Melo quanto é que o país iria pagar na totalidade, incluindo juros e em quantas parcelas e quanto é que já foi pago, referindo-se ao custo total dos equipamentos, que foi referido como correspondendo a 3,9 mil milhões de euros.
O titular da pasta apresentou os números do programa, detalhando o custo das fragatas e dos investimentos associados referindo que " o valor unitário é 893 milhões de euros" , acrescentando que as alterações solicitadas pela Marinha representam " 63 milhões de euros" adicionais por navio.
" Dá 960 milhões de euros por cada fragata" , resumiu.
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