Bernardo Cabral: "Inevitavelmente irá haver abandono de vinhas"
Esta entrevista faz parte de uma série de conversas que o Dinheiro Vivo/DN teve com enólogos e produtores, em plena época de vindimas, sobre o estado da arte do setor e os desafios dos próximos anos.
A seca prolongada, na sequência das alterações climáticas, está a tornar-se estrutural no setor.
Que evidências têm de que o modelo produtivo atual continua a ser compatível com o novo regime climático? O ciclo de alguns anos seca foi interrompido no inverno 2025/2026 repondo os níveis das barragens à capacidade máxima o que trouxe algum alivio e eventualmente adiou a implementação de algumas medidas.
Por enquanto não temos alterado o modelo produtivo mas juntamos ferramentas para otimizar a gestão da água (rega).
Sondas de profundidade, sondas de leitura de seiva e estações meteorológicas remetem informação para programas muito avançados que nos permitem otimizar a rega de acordo com as necessidades da planta.
Acredito que por esta via ainda temos espaço para melhorias.
Que quebra de produção antecipam - se é que antecipam - este ano e até que ponto essa redução ameaça a viabilidade económica das explorações mais pequenas? As perspetivas para este ano são de um aumento de produção, no geral do país.
Com custos de água, energia e mão de obra em máximos históricos, que margens operacionais esperam manter? Há risco real de encerramentos ou consolidação forçada no setor? A pressão associada aos aumentos dos fatores de produção é elevada.
Simultaneamente, os consumidores não aceita aumentos de preços pelo que as margens estão a ser fortemente afetadas.
Acredito que haja muitos produtores cujo negócio esteja em risco e a consolidação já começa a ser uma realidade.
Como é que a redução de volume e a alteração do perfil dos vinhos afetam a capacidade de competir em mercados externos onde o preço e a consistência são decisivos? A inconstância de perfil ou grande variabilidade de preços são inimigos do sucesso.
Hoje os produtores têm essa consistência e já não cometem alguns “erros” que eventualmente poderiam cometer no passado.
Como se combate esta nova vaga de campanha contra o consumo de vinho, em todo o mundo, mas de forma particular em Portugal onde há cada vez mais vozes a alertar para os efeitos nocivos do seu consumo? É um tema relativamente ao qual o setor do vinho está sensibilizado há muitos anos.
O próprio setor tem feito de campanhas no sentido da moderação do consumo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.