Moreira de Sá acusa Von der Leyen de falar como "líder de fação"
"F oi mais um discurso de um líder de fação do que propriamente da presidente da Comissão Europeia", começou por referir aos jornalistas na sede do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França, adiantando que falou sobre "as coisas boas mas não as realistas".
Segundo o eurodeputado, o discurso sobre o Estado da União mostrou que "a Europa nunca esteve tão precária", mas Ursula Von der Leyen não assume quaisquer responsabilidades.
"A culpa é sempre dos outros", criticou, lembrado que a líder do executivo comunitário está à frente dos destinos da Europa há vários anos.
Para o representante do Chega no Parlamento Europeu, a questão das migrações é fundamental e "foi bom ver que uma parte da Europa está a acordar".
O eurodeputado considerou que Von der Leyen "não tem muita credibilidade" para resolver esta questão, já que "o problema começou fundamentalmente em 2015, por causa de decisões tomadas pelo seu próprio partido na Alemanha" - referindo-se à entrada de centenas de milhares de refugiados sírios durante o mandato da então chanceler Angela Merkel (CDU, partido democrata-cristão).
Tiago Moreira de Sá elogiou, no entanto, a atenção que o tema ganhou na Europa.
"É preciso que o problema seja resolvido. Mas está muito longe de estar resolvido, como se vê agora na crise de Ceuta", disse, numa referência à crise registada na cidade espanhola situada no norte de África, onde, no final de julho, mais de 70 mil pessoas entraram ilegalmente a partir do vizinho Marrocos.
Neste caso, Espanha "pôs-se a jeito, desde logo em relação a máfias que estão muito ligadas ao tráfico de seres humanos", disse, acrescentando que "agora é preciso resolver o problema".
Tiago Moreira de Sá adiantou ainda ter ficado preocupado pela ausência de referências aos Estados Unidos no discurso, em paralelo com a presença do primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, no Parlamento Europeu.
"A presidente da Comissão Europeia está a querer oportunisticamente aproveitar uma momento menos bom das relações entre Estados Unidos e o Canadá para criar divisões na Aliança Atlântica", acusou, avisando que os dois países norte-americanos "têm muitos interesses e vão acabar por se entender".
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