Guterres lamenta retoma dos ataques entre EUA e Irão e pede contenção
"O retomar da troca de ataques entre os Estados Unidos e a República Islâmica do Irão é muito lamentável, para dizer o mínimo. Tivemos cerca de um mês de relativa calma. Novamente, o secretário-geral pede a todos a máxima contenção", afirmou hoje o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, em conferência de imprensa.
O líder da ONU incentivou ainda ao regresso às negociações diplomáticas, com o objetivo de alcançar um acordo que ajude a restaurar a estabilidade e a confiança na região, acrescentou Dujarric, na sede da organização, em Nova Iorque.
Após semanas sem agressões militares, os Estados Unidos atacaram esta madrugada, na ilha iraniana de Larak, duas plataformas destinadas ao lançamento de foguetes carregados com minas marítimas que Teerão se preparava para lançar no estreito de Ormuz, segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom).
O Irão, que registou pelo menos dois mortos devido a essa ofensiva, respondeu com ataques contra bases norte-americanas na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos.
Entretanto, o Presidente norte-americano, Donald Trump, prometeu uma resposta militar "com força" aos ataques com mísseis lançados pelo Irão contra alvos dos Estados Unidos no Médio Oriente.
"Haverá uma resposta" e "vamos atacá-los com força", assegurou Trump em declarações à estação televisiva Fox News.
Segundo o líder norte-americano, todos os mísseis lançados pelo Irão, com exceção de um, foram intercetados, pelo que considerou que os ataques não representam uma ameaça significativa para as forças norte-americanas na região.
Trump intensificou entretanto a retórica contra a liderança iraniana, considerando que o país está mergulhado num "caos total" e classificando-o como uma "nação falida".
"O Irão é oficialmente uma nação falida. Acabou! Não tem Marinha, não tem Força Aérea, não tem moeda, não paga aos seus soldados nem à polícia, a inflação está nos 300% e a sua liderança está num caos total, incapaz de representar adequadamente o país", escreveu Trump na sua plataforma Truth Social.
O novo confronto militar surge numa altura em que os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra entre Washington e Teerão permanecem num impasse, apesar das recentes iniciativas de mediação do Paquistão.
O Irão fechou o estreito de Ormuz em meados de julho, na sequência de novos bombardeamentos norte-americanos contra o sul do território iraniano, pelo que os Estados Unidos restabeleceram um cerco aos navios e portos iranianos, o que está a prejudicar a economia da República Islâmica.
Os Estados Unidos abriram uma rota no sul do estreito, perto da costa de Omã, através da qual procuram restabelecer o tráfego marítimo de petróleo, e lançaram uma "guerra económica" para isolar financeiramente o Irão numa guerra que acaba de completar seis meses.
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