Bruxelas acusa Rússia de reprimir oposição para a afastar das eleições
"A forma como as eleições para a Duma estatal são realizadas sublinha a erosão contínua e cada vez mais profunda da democracia na Rússia" , disse o porta-voz para os Negócios Estrangeiros, Christian Wigand, na conferência de imprensa diária.
O porta-voz adiantou ainda que Moscovo tem continuado a "repressão sistemática e institucionalizada para excluir quaisquer forças de oposição democrática que contestem o 'status quo'", exemplificando com a exclusão de candidatos de partidos locais e as penas desproporcionadas de anos de prisão a quem expressa oposição política.
Wigand salientou também que a União Europeia condena "a organização ilegal das chamadas eleições por parte da Federação Russa nos territórios temporariamente ocupados da Ucrânia".
"Estas chamadas eleições representam mais uma violação flagrante do direito internacional. A União Europeia não reconhece, nem nunca reconhecerá, quer a realização destas chamadas eleições — eleições fantoche — nos territórios temporariamente ocupados da Ucrânia, quer os seus resultados. Os envolvidos na organização destas eleições fantoche ou que se apresentem como candidatos serão responsabilizados pelos seus atos", destacou.
A UE continuará "a apoiar o trabalho fundamental das organizações da sociedade civil russa, dos defensores dos direitos humanos e da comunicação social independente. Lamentamos a decisão da Federação Russa de não convidar observadores da OSCE [Organização para a Segurança e Cooperação na Europa] para estas eleições, desrespeitando os seus compromissos vinculativos", disse ainda.
As assembleias de voto para as eleições legislativas russas abriram nas regiões do Extremo Oriente, dando início a três dias de votação, com a oposição limitada pelo regime de Vladimir Putin, cujo partido é o vencedor esperado, em plena guerra na Ucrânia.
As agências russas Ria Novosti e TASS informaram que as primeiras secções de voto abriram às 8h00 locais de sexta-feira (20h00 GMT de quinta-feira) na península de Kamchatka e no distrito autónomo de Chukotka.
A votação decorre até domingo, e metade dos 450 deputados da Duma (o parlamento russo) será eleita através de listas partidárias nacionais, enquanto os restantes 225 resultarão de círculos uninominais, nos quais vence o candidato mais votado.
O Rússia Unida, partido de Putin, deverá conservar a maioria na Duma - Partido Comunista, Partido Liberal-Democrático, Rússia Justa e Novo Povo - que tem apoiado, no essencial, as principais decisões do poder e a guerra na Ucrânia.
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