Habitação. Cerca de 50 pessoas manifestam-se em Leiria
Cerca de 50 pessoas manifestaram-se esta terça-feira em Leiria a partir das 19h00 contra as “bastonadas e pontapés” da polícia e em solidariedade com os cidadãos de Lisboa e Porto, em defesa de “habitação para todos”.
“A habitação é um direito. Sem ela nada feito”, “Não se resolve o problema da habitação à bastonada”, “A paz, o pão e o direito à habitação” e “Casas para morar e não para especular” foram algumas das frases proferidas pelos manifestantes.
Concentradas no Largo da República, as pessoas exibiam também cartazes, realçando que o “Direito à habitação está consagrado na Constituição” , entre outras mensagens.
O porta-voz do movimento Porta a Porta, António Gonçalves, afirmou que a “luta pela habitação tem de ser descentralizada” , porque o problema “é transversal a Portugal inteiro”.
“É um problema nacional e tínhamos de mostrar que em Leiria também existe esse problema”, sublinhou.
António Gonçalves lamentou “os pontapés e bastonadas” que aconteceram em Lisboa e Porto, quando os manifestantes foram obrigados a desmobilizar e a retirar as tendas.
Afirmando que este “tem sido um problema recorrente e que voltou a acontecer esta demonstração feia do Governo”, o ativista frisou que “tinham de mostrar que em Leiria estão solidários com as pessoas que lá estavam”.
Segundo António Gonçalves “não é a violência nem o ódio que vão resolver o problema da habitação”.
“O que temos estado aqui a exigir é exatamente o que os nossos amigos estavam a exigir: o direito à habitação, a queda desta lei dos arrendamentos, ou dos despejos na realidade, e o aumento das rendas e temos de continuar a lutar pelo direito à habitação”, insistiu.
A queda da lei do arrendamento é a primeira medida que António Gonçalves defende no imediato, apontando também “a criação de habitação pública”.
“Portugal tem cerca de 2% [habitação social], o que é baixíssimo para o nível da União Europeia. Além disso, temos também defendido, por exemplo, que a banca seja obrigada a controlar as taxas de juros, porque mesmo os proprietários não estão em grandes situações”, observou.
As cerca de 50 pessoas presentes na concentração, convocada “em cima da hora”, “desmistificam o mito de que as pessoas que não trabalham é que estão aqui”.
“Todos trabalhamos e viemos a seguir a um dia de trabalho. A adesão que tivemos acaba por ser bastante forte para uma terça-feira, depois de trabalho”, apontou.
António Gonçalves revelou que não está prevista uma acampada em Leiria e a desmobilização esta terça-feira verificar-se-á antes do final da noite porque “o objetivo é estar aqui em solidariedade com as pessoas que foram vítimas da violência policial injusta” .
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