Os resultados das eleições legislativas russas eram previsíveis, mas o que acontece a seguir é o que realmente importa
O resultado das eleições legislativas rigorosamente controladas na Rússia nunca esteve seriamente em dúvida: uma vitória retumbante do partido Rússia Unida, que apoia fervorosamente o Presidente Vladimir Putin e a guerra da Rússia na Ucrânia.
O facto de a verdadeira oposição política ao Kremlin e à sua dispendiosa guerra ter sido efetivamente silenciada nos últimos anos tornou o resultado das eleições — as primeiras legislativas desde 2021, antes do início da guerra na Ucrânia — ainda mais inevitável. O único partido da oposição que resta e que defende o fim da guerra, o Yabloko, foi impedido de participar.
Mesmo antes da votação, Putin disse aos russos que as eleições demonstrariam a unidade nacional e que “milhões de pessoas apoiam os nossos combatentes” — um sinal da sua confiança no resultado.
As eleições a nível nacional também foram utilizadas para sublinhar que a Rússia — ao contrário da Ucrânia — está preparada para realizar uma votação em tempo de guerra, o que poderá conquistar o favor do Presidente dos EUA, Donald Trump, que criticou a proibição constitucional de eleições em Kiev durante a lei marcial.
Mas o que sempre foi muito menos certo do que o resultado desta votação na Rússia, e potencialmente mais significativo, é a forma como esta nova camada de apoio político será utilizada e que curso de ação o Kremlin irá agora defender.
A simples realização de uma votação a nível nacional — abrangendo 11 fusos horários russos e regiões anexadas ocupadas pelas forças russas na Ucrânia — foi apresentada na Rússia como um sinal de normalidade, algo importante para o Kremlin enquanto enfrenta uma guerra em escalada.
Com o aumento das baixas nas linhas da frente, as crescentes dificuldades económicas e a subida da ansiedade pública, a realidade daquilo a que a Rússia chama a sua Operação Militar Especial na Ucrânia é cada vez mais sentida.
Ainda assim, perante os incessantes ataques de drones ucranianos — incluindo a maior vaga de sempre lançada contra a região de Moscovo enquanto decorria a votação este fim de semana —, o Kremlin tem feito questão de garantir aos russos que a vida continua em grande medida sem ser afetada.
Mas essa garantia poderá tornar-se mais difícil de sustentar à medida que aumenta a pressão sobre a máquina de guerra russa, enquanto o Kremlin promete prosseguir os seus objetivos militares na Ucrânia, independentemente do custo.
Um dos receios mais fortes, à medida que o Kremlin tenta quebrar o impasse na linha da frente, é que utilize o que considera ser um novo mandato para lançar uma nova ronda de mobilização forçada para reforçar as fileiras cada vez mais desfalcadas das forças armadas russas.
Uma caótica mobilização parcial em setembro de 2022 levou ao recrutamento de cerca de 300 mil homens, provocando uma onda de indignação e a saída em pânico, através de postos fronteiriços congestionados, de centenas de milhares de russos desesperados por escapar ao recrutamento.
Desde então, o Kremlin reforçou os controlos fronteiriços, tornando mais difícil fugir.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.