Shogo Akagawa: "Japão tem de defender com firmeza a paz, a democracia e o Estado de Direito"
Como descreve o momento atual das relações entre o Japão e a China? Temos de manter o diálogo com a China, porque é um dos nossos vizinhos mais importantes.
Temos laços históricos, económicos e políticos muito fortes, e não os devemos cortar, seja qual for o sistema chinês.
Mas temos também de preparar a nossa dissuasão.
A China é um rival sistémico do Japão, tal como é da Europa.
E não podemos depender apenas dos EUA.
Continuo a acreditar que os EUA nos apoiam, mas temos de assumir as nossas responsabilidades.
Por isso, considero acertada a decisão do governo japonês de aumentar o orçamento militar para a dissuasão.
A primeira-ministra Sanae Takaichi foi eleita com uma votação muito expressiva.
Isso significa que os japoneses apoiam o fim de alguns tabus do pós-guerra, como o Artigo 9.º que impunha um investimento militar reduzido? Não creio que os japoneses apoiem o reforço da dissuasão por causa de Takaichi.
É o resultado de um mundo em mudança.
Eu não sou um grande apoiante de Takaichi, embora esteja convencido de que precisamos de dissuasão.
Temos a responsabilidade histórica de preservar os nossos valores fundamentais: o pluralismo, a democracia e o Estado de direito.
Há quase um século, cometemos um enorme erro.
Destruímos, ou tentámos destruir, juntamente com os nossos aliados de então, a ordem internacional.
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