Macron pede que não se ceda "à fatalidade" e defende ONU
O chefe do Governo francês fez um apelo para "manter a determinação, uma ação otimista", mensagem que salientou defender desde que assumiu a presidência francesa, em 2017.
"Não cedamos à fatalidade, à derrota. Está na moda dizer que aqui na ONU só vimos para fazer discursos, mas que não se faz mais nada. No entanto, (...) isso não é verdade, e menos ainda hoje do que antes. Portanto, não cedamos em cinco pontos", referiu, antes de questionar: "Queremos viver neste estado de natureza, com um regresso à lei da selva, ou numa sociedade internacional civilizada?"
Um desses cinco aspetos é o compromisso de encontrar "soluções concretas" para os conflitos.
"O Direito Internacional nunca tentou descrever a realidade, indica os limites que os soberanos se impõem para que a força não seja o único elemento em caso de confronto (...) Quem se esquece disto comete um erro moral", apontou, alertando depois para uma "nova era de barbárie" nas guerras em curso.
Macron exigiu ainda "não aceitar uma nova ordem de impunidade que alguns querem instaurar", assegurando que o seu país continuará a "prestar apoio político e também operacional ao mecanismo internacional de justiça", incluindo o Tribunal Penal Internacional (TPI), cujos juízes estão a ser alvo de sanções por parte dos Estados Unidos.
"Não devemos ceder à divisão do mundo, a esta fratura que muitos descrevem e alguns utilizam entre o Norte e o Sul (...) Se permitirmos que esta divisão se enraíze, alimentaremos o duplo padrão que alguns praticam. Mas temos de conciliar o Norte e o Sul para responder aos desafios, seja o clima, a saúde ou o desenvolvimento", acrescentou o responsável, enfatizando a defesa do multilateralismo.
Macron insistiu também que não se deve "ceder à fatalidade" face às questões climáticas, reivindicando "tudo o que foi conquistado desde o Acordo de Paris, há onze anos".
O governante francês estendeu este apelo à inteligência artificial, defendendo que não se ceda "nem um pouco perante o cenário mundial que está a surgir em relação" a esta tecnologia, bem como à infância e juventude, embora tenha reconhecido os riscos para a saúde que estas enfrentam, particularmente com as redes sociais.
O chefe de Estado francês denunciou ainda na ONU que a Faixa de Gaza se tornou um "espetáculo (que) envergonha" e voltou a exigir o reconhecimento da Palestina como Estado, lembrando que a França e outros países deram esse passo há praticamente um ano, por ocasião da 80.ª edição da Assembleia Geral da ONU.
"Observem o que está a acontecer na Cisjordânia, onde ocorrem violações todos os dias, mas em nome de quê? (...) Trata-se de construir, dia a dia, o projeto de respeito pelo direito do povo palestiniano a existir, mas, ao mesmo tempo, trata-se das condições para a paz e para a segurança de hoje e de amanhã, tanto para Israel como para o seu povo", acrescentou.
Macron advertiu que "aqueles que dizem que a segurança de Israel implica violar os direitos dos vizinhos" estão, na verdade, a enfraquecer a segurança do país.
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