Produtividade: a pergunta que não estamos a fazer
A produtividade tornou-se uma das palavras mais utilizadas no vocabulário do dia a dia.
Está presente nas agendas dos governos, nos planos estratégicos das organizações e, mais recentemente, nas promessas associadas à Inteligência Artificial.
Sempre que surge uma nova tecnologia, a expectativa parece ser a mesma: encontrar a solução para o problema da produtividade.
Mas existe uma questão que raramente é discutida: afinal, o que entendemos por produtividade? Segundo a OCDE, a produtividade é definida como a relação entre o volume de resultados produzidos e o volume de recursos utilizados.
Ou seja, uma medida de eficiência que compara aquilo que produzimos com aquilo que consumimos para produzir.
À primeira vista, parece uma definição objetiva e consensual.
No entanto, basta analisá-la com mais detalhe para perceber que levanta mais perguntas do que respostas.
Beatriz Silva Marques, Senior Manager EY, People Consulting Comecemos pelo resultado produzido.
O que constitui, afinal, um resultado? Numa fábrica, a resposta pode ser relativamente simples: unidades produzidas, peças montadas ou encomendas expedidas.
Mas numa organização baseada em conhecimento, como medimos o resultado de uma boa decisão? O valor de uma relação de confiança com um cliente? O impacto de uma ideia inovadora? A qualidade de uma estratégia? A segunda questão está relacionada com os recursos utilizados.
Devemos medir apenas o tempo? O número de colaboradores? O investimento tecnológico? E quando uma equipa produz o mesmo resultado em menos tempo, estamos perante um aumento de produtividade ou apenas perante um ganho de eficiência operacional? A realidade é que existe uma definição amplamente aceite de produtividade, mas não existe uma interpretação única daquilo que ela significa dentro das organizações.
E talvez seja precisamente aqui que começa o problema.
Ao longo dos últimos anos, a produtividade tem sido frequentemente apresentada como um desafio universal, independentemente do setor, da atividade ou do modelo de negócio.
Ao mesmo tempo, a Inteligência Artificial surge cada vez mais como uma resposta igualmente universal.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.