A ciência já consegue atrasar o envelhecimento. A questão é saber até onde podemos chegar.
Investigadores, médicos e responsáveis de diferentes áreas reuniram-se no Auditório da Alfândega do Porto para discutir uma mudança que ultrapassa a medicina. Se for possível viver mais tempo com saúde, será também necessário repensar a prevenção, a idade da reforma, o papel das empresas, o financiamento dos sistemas de saúde e a forma como uma sociedade cada vez mais envelhecida se organiza.
Há, porém, uma fronteira que vários especialistas fizeram questão de estabelecer ao longo do encontro. Longevidade não é sinónimo de imortalidade e os avanços científicos não validam promessas de juventude permanente.
Rita Fontes Oliveira, médica e CEO do Centro de Inovação Médica (CIM), lembrou que os avanços na investigação não devem ser confundidos com respostas que a ciência ainda não tem.
“Viver mais não pode ser uma promessa de marketing.” Uma distinção que considera particularmente importante numa área onde continuam a surgir soluções que prometem contrariar ou retardar o envelhecimento. “Não há suplementos milagrosos, não há máquinas mágicas, não há atalhos capazes de substituir a ciência, os dados, o acompanhamento clínico, nem tampouco a investigação séria.”
É nos modelos animais que surgem alguns dos resultados mais expressivos.
João Pedro de Magalhães, investigador português e professor de Biogerontologia Molecular na Universidade de Birmingham, estuda há anos os mecanismos genéticos que ajudam a explicar por que razão algumas espécies vivem muito mais do que outras. O trabalho desenvolvido nesta área mostra até onde essas diferenças já podem ser manipuladas em laboratório. “Manipulando um só gene, conseguimos fazer com que as minhocas vivam dez vezes mais. Se conseguíssemos aplicar isso a seres humanos, teríamos pessoas a viver mais de mil anos.”
O investigador fez questão de distinguir o que é possível em organismos simples daquilo que pode ser transferido para seres humanos. Os resultados, contudo, não se limitam às minhocas. Também em ratos foi possível aumentar a longevidade através de manipulação genética em cerca de 50%. Mais importante do que simplesmente permanecerem vivos durante mais tempo é o facto de algumas doenças associadas ao envelhecimento surgirem mais tarde. É uma mudança fundamental na investigação da longevidade. O objetivo deixou de ser apenas aumentar o número de anos de vida e passou também por atrasar o período de doença e dependência que tende a acompanhar os últimos anos.
João Pedro de Magalhães levou o exercício ainda mais longe. Se fosse possível abolir completamente o envelhecimento, calculou, um ser humano poderia teoricamente viver cerca de 20 mil anos. Não é uma previsão nem uma promessa, mas uma forma de questionar qual poderá ser o limite biológico da vida humana. Parte da resposta pode estar noutras espécies. Ratos-toupeira vivem décadas e apresentam uma resistência ao cancro pouco habitual entre roedores. Baleias-da-Gronelândia podem ultrapassar os 200 anos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.