Carta aberta a PM diz que cuidadores são esquecidos
Quatro mães divulgaram esta sexta-feira uma carta aberta ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, em que afirmam que tanto os cidadãos com deficiência como os cuidadores continuam a ser esquecidos em Portugal.
“Cuidar de alguém dependente não é uma escolha de horário laboral. É um trabalho invisível de 24 horas por dia, 365 dias por ano. É abdicar da carreira, da saúde mental, do descanso e, tantas vezes, da própria subsistência económica para garantir a dignidade de quem mais amamos”, escreveram.
Cuidadoras de filhos com idades entre os 6 e os 18 anos, estas mães sublinharam que os cuidadores informais “poupam milhares de euros ao Estado” todos os anos , ao assumirem uma responsabilidade que também deve ser pública, por direito constitucional.
“Em troca, recebem uma burocracia asfixiante e um reconhecimento que não passa do papel”, lamentaram, defendendo que o atual Estatuto do Cuidador Informal e os apoios existentes, como a Prestação Social para a Inclusão, são “manifestamente curtos” e “falham em responder à inflação e às necessidades reais” de quem vive com incapacidade profunda.
“A situação tornou-se insustentável ao ponto de muitas famílias ponderarem deixar de levar os seus familiares a consultas médicas e às terapias de reabilitação. As terapias não são um luxo; são um direito fundamental e a única forma de garantir que estas pessoas não sofram retrocessos graves na sua saúde e autonomia”, alertaram.
Para estas mães, caso não seja alterada a atual situação, a expressão “Ninguém fica para trás” continuará a ser apenas um slogan político “sem eco na vida dos portugueses”.
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