Gronelândia quer comissão de reconciliação após novo relatório sobre contraceção forçada
A Gronelândia quer criar uma comissão de reconciliação, na sequência da apresentação das conclusões de especialistas sobre a campanha de contraceção forçada promovida pela Dinamarca, que não determinou se esta política poderia ser qualificada como 'genocídio'.
"Não podemos dizer, em nome do Naalakkersuisut [o governo da Gronelândia], se houve genocídio. É algo sobre o qual podemos continuar a debater", afirmou na sexta-feira numa conferência de imprensa Marianne Paviasen, ministra da Justiça do território autónomo do Reino da Dinamarca.
Para Jens-Frederik Nielsen, o chefe do executivo da Gronelândia, trata-se agora de "iniciar um processo de cura".
"Vamos criar uma comissão de reconciliação", acrescentou, desejando cooperar com Copenhaga sobre o assunto.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, saudou esta iniciativa.
"Uma comissão de reconciliação dá-nos a oportunidade de revisitar as áreas sombrias da nossa história comum, adotar um olhar crítico sobre elas e reconhecer o sofrimento que podem ter causado", escreveu num comunicado.
A comissão de especialistas, encarregada de determinar as implicações jurídicas desta contraceção forçada não apresentou conclusões unânimes.
No entanto, os seus membros concordaram que esta campanha poderia ter constituído várias violações dos direitos humanos e dos direitos dos povos indígenas.
Na sexta-feira foram apresentados dois relatórios, com quase seis meses de atraso em relação ao calendário inicial.
"Os dois relatórios são tão diferentes que um afirma que não houve genocídio de todo, enquanto o outro diz que poderia ter havido", disse a ministra Paviasen.
Para Henriette Berthelsen, uma das vítimas, as conclusões dos relatórios são de qualquer forma enviesadas pela ausência de Inuítes gronelandeses entre os especialistas.
"Para mim, não se trata apenas de História ou política, é o meu corpo, a minha vida e o meu direito à autodeterminação. E, mais uma vez, vejo que são outros que vão investigar e definir o que me foi feito e foi feito a outras mulheres Inuítes", lamentou a mulher, em declarações à agência de notícias francesa AFP durante a apresentação dos documentos.
Chamado na Gronelândia como o caso "anticonceção", a campanha atingiu sobretudo adolescentes de 12 anos, algumas das quais que nunca mais puderam ter filhos.
Na quinta-feira, o Parlamento dinamarquês deu luz verde à indemnização das vítimas destas contraceções forçadas, em conformidade com o que desejava a primeira-ministra da Dinamarca.
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