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Seguro ao lado de Montenegro na contenção orçamental

Observador ·
Seguro ao lado de Montenegro na contenção orçamental

António José Seguro estava quase sempre adiantado no percurso, mas antes de falar com alunos, ia olhando por cima do ombro: “Onde é que está o primeiro-ministro?” Sempre com a preocupação de não o deixar para trás, o Presidente fez a visita à nova escola secundária de Cascais junto a Luís Montenegro. Se a paixão pela Educação o levou em julho a ser mais duro com o Governo, António José Seguro mantém-se ao lado do Governo na ideia de manter o rigor orçamental e de não aumentar a despesa para responder ao aumento dos preços dos combustíveis. Os dois siriam da escola juntos, e no mesmo carro, para uma reunião das terças, excecionalmente antecipada para segunda-feira por o primeiro-ministro ter de seguir para Nova Iorque.

O Presidente da República esteve em diversas ocasiões nos últimos dias e nunca quis comentar as medidas anunciadas pelo Governo, como a descida do IRS ou o bónus aos pensionistas. Como na maioria das vezes foi abordado na Festa do Livro em Belém, sobre os combustíveis não saiu de um conselho coletivo, ao estilo do Papa Francisco ou da negação de Pedro, repetindo sempre três vezes: “ Leiam, leiam, leiam “. É precisamente na leitura que se encontra a resposta presidencial ao conflito que opõe o Governo à oposição (em particular o PS).

Luís Montenegro tem insistido que não quer ser o “pai da austeridade”, sugerindo que tomar mais medidas, mesmo que temporárias, vão colocar em causa o rigor das contas públicas. “Não trocamos esta política por nenhuma outra”, reitera o primeiro-ministro. O Presidente da República não se tem pronunciado diretamente sobre o assunto, mas partilha da posição do Governo. Aliás, quando emitiu uma nota sobre o aumento de notação financeira da República por parte da agência Fitch, António José Seguro avisou que “a credibilidade conquistada deve ser preservada com responsabilidade”, elogiando na mesma ocasião a “ responsabilidade mantida ao longo de diferentes governos.”

António José Seguro não se vai imiscuir na discussão partidária, pelo que — havendo margem orçamental para medidas de 800 milhões de euros — o chefe de Estado nunca se vai pronunciar se foram bem ou mal aplicadas essas verbas. No entanto, o PS já quantificou as suas medidas em 132 milhões de euros por mês, o que, embora sejam temporárias, significariam 1580 milhões de euros de custos aos cofres públicos se se mantivessem no espaço de um ano. O secretário-geral do PS diz que “as contas aguentam”, mas o que é certo é que a posição mais conservadora de Montenegro encontra respaldo em Belém .

É verdade que Seguro também está preocupado com as condições de vida dos portugueses, mas também aí já tinha feito pedagogia no sentido de explicar que manter as contas certas trará benefícios. “Num momento em que as famílias e as empresas receiam um novo agravamento das taxas de juro, o reforço da credibilidade financeira do País contribui para atenuar em Portugal os efeitos de condições internacionais de financiamento mais exigentes”, escreveu o Presidente.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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