Até onde vai o PS para manter Estado a bordo na TAP
Em 2023, Luís Paixão Martins aconselhava os políticos a livrarem-se do assunto TAP. “É um ativo tóxico para uma campanha eleitoral”, dizia ao Observador o estratega da comunicação e conselheiro de António Costa em várias campanhas. Mais de três anos depois, está longe de ser tema encerrado e a perspetiva da venda total promete prolongar a discórdia . O PS de José Luís Carneiro entra no debate a pedir que se conserve uma “posição estratégica” — uma formulação que deixa margem para discutir outras soluções.
Questionado sobre o desconforto do PS perante uma venda total, Filipe Santos Costa reafirmou que a posição do partido continuava a ser a privatização parcial. Ao definir o papel que o Estado deveria conservar falou na “manutenção de uma posição estratégica” na TAP. É uma formulação bem menos fechada do que a que foi usada por José Luís Carneiro em julho de 2025. Quando o Governo aprovou o arranque da reprivatização, o líder socialista defendeu que “Portugal deve manter a maioria da estrutura acionista , a maioria dos seus capitais”, para assegurar os objetivos estratégicos da companhia.
Agora, o deputado Carlos Pereira explica a nova expressão. “Manter uma posição estratégica é ter influência para garantir condições estratégicas para o país, como a questão do hub de Lisboa, as ligações com as comunidades e as regiões autónomas, a questão turística e até o cluster aeronáutico no país”, diz, defendendo o debate.
O Estado mantém, por enquanto, a maioria do capital. A Lufthansa propõe uma aquisição por fases, à semelhança da estratégia seguida na italiana ITA Airways: uma entrada minoritária, seguida da possibilidade de chegar ao controlo total. O Governo colocou pressão, ao dizer que é aí que se pode conseguir recuperar todo o valor injetado na TAP — um argumneto caro ao PS. Mas, ao mesmo tempo, é uma segunda fase que expõe as divergências entre socialistas e que Carneiro trava a fundo, sabendo de antemão que este é um tema de alta sensibilidade dentro do partido.
E o próprio antigo ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos , foi o primeiro a expô-las, quando veio comentar a venda dos 49,9% da TAP e sublinhou que é contra a venda total. “Já sabemos o suficiente em matéria de privatização da maioria do capital de empresas públicas para saber o que lhes acontece a prazo”, argumentou na CNN-Portugal na tarde desta quinta-feira aquele que é também o antigo líder do PS.
Entre os socialistas, os exemplos estrangeiros são usados para defender que Portugal conserve uma participação de 20% a 30% na TAP. França detém 28% da Air France–KLM. Os Países Baixos mantêm uma participação direta na KLM e compraram também ações do grupo para reforçar a sua influência. Já a Itália deverá conservar 10% da ITA.
“É inteligente preservar a reserva estratégica na TAP”, diz Carlos Pereira que rejeita uma decisão apressada: “O Governo não tem de fazer a segunda fase a correr. É preciso ver primeiro o impacto no mercado”, argumenta. Um dirigente socialista considera suficiente uma “participação minoritária, para garantir entrar no acordo parassocial ” e tentar conservar poderes sobre decisões estratégicas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.