Universidade de Coimbra usa Inteligência Artificial para pôr travão à doença de Alzheimer
Em vez de tentar recuperar neurónios danificados, quando o mal já está instalado, a ciência da Universidade de Coimbra (UC) aposta em intervir na raiz da progressão da doença.
Uma equipa de investigadores do MIA-Portugal, e do Centro de Neurociências (CNC-UC), ambos da UC, irá recorrer a algoritmos de computação avançada para desenhar compostos terapêuticos capazes de ultrapassar a barreira de proteção do cérebro e colocar um travão na propagação da proteína Tau – uma da responsáveis pelo Alzheimer – estreitando a passagem biológica pela qual esta molécula tóxica contagia as células vizinhas.
A estratégia dá corpo ao TILT-Tau, projeto que se define como “um travão nas doenças neurodegenerativas”.
O ponto de partida é um mecanismo biológico recentemente desvendado no Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento (MIA-Portugal).
“A porta em si, pela qual a proteína entra, é controlada por um mecanismo já conhecido com uma proteína identificada.
O que nós encontrámos aqui é quase como uma chave: outra proteína que consegue regular quão aberta ou fechada essa porta está”, explica Nuno Apóstolo, investigador principal do projeto.
O objetivo terapêutico não passa por prometer um fecho hermético imediato, mas por manter a nesga o mais apertada possível: “Descobrimos esta proteína reguladora e propomos estratégias para que a propagação não seja feita.” A janela de oportunidade é crucial.
“Faz mais sentido que este tratamento seja aplicado em fases iniciais da doença, para que a Tau não se propague entre neurónios e diferentes zonas do cérebro, permitindo aos doentes manter a memória e a independência.
Não se pretende que seja uma terapia para reverter a doença, mas sim para travar o seu avanço”, sublinha o investigador de 35 anos, admitindo que, em quadros intermédios, a solução possa atuar “em combinação com terapias existentes, como anticorpos anti-Tau, impedindo a progressão para além do ponto instalado”.
Nuno Apóstolo, neurobiólogo e investigador principal do projeto.
A abordagem inovadora valeu à equipa o Innovation Award Bluepharma & Universidade de Coimbra 2025 , distinção que garante algum suporte financeiro e consultoria translacional para fazer a ponte entre as descobertas de bancada e o desenvolvimento pré-clínico.
Os 20 mil euros do prémio são uma gota de água no oceano dos custos da investigação biomédica, mas no dia a dia do laboratório têm destino traçado para acelerar os ensaios imediatos.
“Queremos aplicar este valor na continuidade da exploração do mecanismo: ver como é que estas duas proteínas funcionam em conjunto, entender a sua estrutura e validar funcionalmente em modelos in vitro , utilizando também neurónios humanos, para testar de que modo este complexo regula a entrada da Tau”, detalha o cientista.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.