As notícias das 14h
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Começa agora. Miguel, está a começar esta hora em Nova Iorque a Assembleia Geral das Nações Unidas, num momento de grande apreensão em torno da evolução dos conflitos, quer na Ucrânia, quer no Médio Oriente. Já lá vamos, mas para já mais um testemunho de quem conviveu de forma próxima com Jorge Palma, uma relação que teve como ponto de partida um festival de Vilar de Mouros em 1971.
Foi nesse ano, por terras do Minho, que o jovem Marcelo Rebelo de Sousa contactou pela primeira vez com o também jovem Jorge Palma, uma relação que haveria de ter outros capítulos ao longo das últimas décadas. Por exemplo, a atribuição, fazias referência a isso, Nelson, pelo presidente Marcelo Rebelo de Sousa da Ordem do Infante D. Henrique a Jorge Palma em 2020, a coincidir com os 70 anos do artista. Professor Marcelo Rebelo de Sousa, boa tarde. Obrigado pela sua presença, pela sua disponibilidade para estar aqui conosco. Quem era aquele Jorge Palma que conheceu em 1971 em Vilar de Mouros?
Em 71 ele era muito jovem, éramos todos muito jovens, praticamente a mesma geração, e ele, de facto, estava na altura numa banda chamada Sindicato. Ainda não tinha editado nada a solo e estava a dar os primeiros passos de talento musical inimitável, que seria visível logo no ano seguinte, mas que era uma novidade. Ele conhecia muito bem a música anglo-saxónica, começou por aí, edita por aí primeiro e depois vira, e ainda bem que virou para a música portuguesa, depois não parou mais. E quando nos reencontramos ao longo da vida várias vezes, porque ele foi continuando a estar presente em gerações e gerações, e décadas e décadas da vida de todos nós, esse homem já era, senão o mais original, dos mais originais dos cantores e autores, na letra e na música, de um período fundamental da nossa história recente.
E que circunstância, nesse festival, juntou estes dois jovens que mais tarde haveriam ter papel de relevo e destaque na vida portuguesa?
Sim, encontrámo-nos, eu fui cumprimentá-lo, felicitá-lo. Estava muito entusiasmado com aquele ambiente, que era um ambiente muito peculiar. Não se esqueça que era um regime em que se vivia e aquilo era uma manifestação heterodoxa, rebelde, e ele era naturalmente um rebelde. Foi sempre um rebelde doce, mas um rebelde. E depois reencontrámo-nos várias vezes e talvez o ponto culminante terá sido, a meu ver, o ano do apogeu de Jorge Palma. Era em 2020, num ambiente muito difícil. Estávamos todos de pandemia e ia a um concerto histórico no Castelo de São Jorge, todos de máscara, e ele estava ao mesmo tempo com aquela fragilidade física que aparentava de vez em quando, para não dizer muitas vezes, mas com uma força brutal. Estava eufórico. Foi uma noite única, mágica, e estava no máximo da sua criatividade, que depois continuou a manifestar nos anos seguintes, mas estava no máximo. Eram 45 anos de carreira, eram 70 anos de idade.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.