"Terramoto" na CDU aumenta pressão sobre Merz após derrotas
"Estamos quase perante as ruínas dos grandes partidos populares" , considerou Karl-Rudolf Korte, especialista em partidos da Universidade de Duisburg-Essen, numa análise no canal público ZDF, apontando também para um "declínio de autoridade" do chanceler Friedrich Merz, também líder da União Democrata-Cristã (CDU).
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, os democratas-cristãos obtiveram 4,9% dos votos e ficaram abaixo da barreira dos 5%, deixando pela primeira vez de estar representados no parlamento regional. Em Berlim, a CDU terminou em terceiro lugar, com 18,8%, atrás da Esquerda (Die Linke) e da Alternativa para a Alemanha (AfD).
O próprio Merz classificou o resultado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental como um "desastre", mas garantiu que pretende continuar como chanceler e presidente da CDU e prosseguir o seu programa de reformas.
"Para a CDU, juntaram-se vários fatores desfavoráveis: a tendência negativa a nível federal, a baixa popularidade do chanceler, uma posição fraca na política regional e a forte concentração da campanha eleitoral no SPD [Partido Social Democrata] e na AfD", considerou à agência Lusa Jochen Müller, politólogo da Universidade de Greifswald.
O especialista vê como particularmente grave o resultado no nordeste alemão, onde a CDU ficou abaixo dos 5%, mas sublinha que a derrota não pode ser explicada apenas pelo desempenho de Merz.
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a campanha ficou fortemente concentrada entre o SPD (centro-esquerda) de Manuela Schwesig (no poder) e a AfD, enquanto a ministra-presidente conseguiu recuperar significativamente ao longo do último ano e afastar-se da tendência negativa do SPD a nível federal.
"Manuela Schwesig conseguiu, no espaço de um ano, recuperar muito e desligar-se em grande medida do fraco SPD federal", sustentou Jochen Müller.
Para Constantin Wurthmann, politólogo da Universidade de Mainz, o resultado representa um "terramoto" para a CDU e revela a dificuldade de Merz em controlar a narrativa sobre a própria governação. O especialista considera que o chanceler perdeu capacidade para definir a interpretação política do seu Governo.
Em entrevista à ZDF, Wurthmann aponta ainda para uma dificuldade mais ampla dos partidos do centro em mobilizar os seus eleitores e explicar as reformas que estão a ser promovidas pelo Governo federal. A CDU e o SPD, segundo o politólogo, não conseguiram "levar as pessoas consigo".
"Não contaria com uma demissão a curto prazo. É mais provável que se intensifiquem na CDU os debates sobre estratégia, estilo de liderança e relacionamento com a AfD", avaliou.
A CDU enfrenta ainda a pressão provocada pelo crescimento da AfD. Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, o partido foi o mais votado, com 38,2%, enquanto em Berlim alcançou 16,3%, mais do dobro do resultado das eleições anteriores.
Para Müller, as duas eleições mostram como a AfD se consolidou "num nível muito elevado", mas não devem ser lidas da mesma forma.
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