O terrorismo como ferramenta do PCP
A política tolera a divergência ideológica, o debate aceso e a solidariedade partidária. O que a democracia, a moral e a decência humana não podem tolerar é a conivência com a violência cega contra civis. Ao convidar a Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) para a Quinta da Atalaia, o Partido Comunista Português ultrapassou a fronteira que separa a intervenção política legítima da cumplicidade com o terror.
Para o PCP, a FPLP é apenas mais um “movimento de libertação”. Mas a História, escrita em sangue e gravada em registos oficiais, desmente a narrativa comunista com factos incontestáveis:
A FPLP planeou e executou, em parceria com o Exército Vermelho Japonês, o metralhamento indiscriminado no aeroporto que resultou na morte de 26 civis na sua maioria peregrinos cristãos e deixou dezenas de mutilados.
Membros da FPLP invadiram um local de culto e assassinaram a golpe de machado e a tiro 6 fiéis em oração e um agente de polícia.
Os Atentados-Suicida da Segunda Intifada e o massacre de 7 de Outubro:
A ala militar da FPLP (as Brigadas de Abu Ali Mustafa) participou ativamente nos ataques que culminaram na morte de mais de 1.200 pessoas e no sequestro de centenas de reféns civis. Não se trata de “propaganda ocidental” ou de invenções da União Europeia, entidade cuja autoridade o PCP alega não reconhecer. Trata-se de vidas humanas ceifadas. Trata-se de uma organização formalmente classificada como terrorista pela União Europeia, pelos Estados Unidos e por várias democracias globais devido a décadas de táticas assentadas no assassinato seletivo, no sequestro de aviões comerciais e na morte deliberada de inocentes.
Quando o PCP rejeita a classificação da UE, argumentando falta de credibilidade institucional, coloca-se numa posição juridicamente indefensável e moralmente falida. Portugal é um Estado-Membro da União Europeia; as normas europeias que enquadram estas organizações têm eficácia jurídica no nosso país. Rejeitá-las por conveniência ideológica é assumir que o partido se julga acima do quadro legal e dos valores fundamentais dos Direitos Humanos.
Mais grave do que a cegueira ideológica é a hipocrisia do duplo critério. Se qualquer outra força política em Portugal convidasse para um evento público um grupo paramilitar ou de extrema-direita com o mesmo historial de massacres de civis, o PCP seria o primeiro a exigir a intervenção do Ministério Público e a condenação moral do país. Contudo, quando a violência serve a sua matriz ideológica, os massacres transformam-se em “resistência” e os terroristas passam a “convidados de honra”. A solidariedade com a autodeterminação dos povos não exige a celebração de carrascos. Ao estender o tapete vermelho à FPLP na Festa do Avante, o PCP não está a defender a Palestina; está a manchar a tradição democrática portuguesa e a validar o terrorismo como ferramenta política. É um ato que devia envergonhar qualquer democrata e, acima de tudo, os próprios militantes que ainda acreditam no valor supremo da vida humana.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.