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Tempos medievais? Está a vivê-los

CNN Portugal ·
Tempos medievais? Está a vivê-los

Na Itália do século XII, os médicos de uma escola de medicina de Salerno descreveram os sintomas da pletora, ou seja, um excesso de sangue no equilíbrio dos fluidos corporais: “O rosto da pletora tem uma tonalidade rosada, os seus olhos são grandes e muito brilhantes; enquanto as bochechas e o corpo estão cobertos de massa”.

Salto rápido para agosto de 2025, quando o secretário de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., disse estar "a observar crianças enquanto caminhava pelos aeroportos, enquanto caminhava pelas ruas, e via estas crianças sobrecarregadas com problemas mitocondriais, inflamação; notava-se isso nos seus rostos, nos seus movimentos corporais e na sua falta de ligação social".

O século passado trouxe alguns dos avanços médicos e tecnológicos mais profundos que a que a humanidade já assistiu — a cura de infeções bacterianas anteriormente letais, a observação do interior de corpos vivos, o transporte de pessoas através dos oceanos e até à Lua, a solução da estrutura do ADN e do movimento dos continentes. Ainda assim, o século XXI parece ter dado uma guinada em direção a um passado pré-racional, com as pessoas a regressarem a um modelo de bem-estar que pode parecer ter saído diretamente da Idade Média - uma era em que sangrias, ventosas e purgantes eram muito utilizados para tratar doenças.

Hoje, um feitiço de "transformação corporal" no Etsy promete "perda de peso rápida" e um "corpo de sonho" por cerca de 10 dólares, ou um pouco mais se o amuleto for necessário com urgência. Um "feitiço de beleza extrema" está a ser vendido com um grande desconto - nota: as devoluções são aceites caso os resultados não sejam satisfatórios. Milhares de pessoas participaram em eventos da Conferência de Cura Energética em Utah, Montana e Idaho, onde praticantes de respiração consciente, mestres de reiki e herbalistas se reúnem para partilhar sabedoria ancestral. Uma publicação no Reddit questiona sobre os melhores posicionamentos celestes para "cirurgia eletiva".

Parte disto pode ser atribuído à perda de confiança nas instituições, especialmente nas ligadas à saúde pública, sobretudo devido à pandemia de Covid-19. "A Covid foi uma das primeiras vezes em que as pessoas viram realmente como funcionam os avanços médicos, viram os altos e baixos, os momentos em que precisamos de aprender e os erros que os cientistas podem cometer", nota Roy Perlis, professor de psiquiatria na Faculdade de Medicina de Harvard.

A transparência do processo científico, aliada à urgência da crise, criou um vazio de confiança que os influenciadores do bem-estar preencheram com entusiasmo. "Toda a gente tem dúvidas sobre a sua própria saúde e as pessoas têm acesso a muito mais informação", diz Perlis. "Ainda assim, grande parte desta informação é incorreta e visa vender algo ou corroer a confiança numa instituição”.

Os americanos, por exemplo, procuram cada vez mais conselhos de saúde no Facebook, TikTok e chatbots de inteligência artificial.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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