Ceuta e Melilha serão espanholas "até ao fim dos tempos": Sánchez convoca embaixadora de Marrocos após declarações polémicas
O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, revelou esta quinta-feira que o Executivo convocou, a 21 de agosto, a embaixadora de Marrocos em Espanha devido às declarações “inaceitáveis” de dois ministros marroquinos sobre Ceuta e Melilha.
Sánchez deu conta desta decisão durante a sua intervenção no plenário do Congresso, onde foi chamado a explicar a situação em Ceuta na sequência da entrada em massa de pessoas provenientes de Marrocos, ocorrida há um mês.
O chefe do Executivo referiu-se às declarações dos ministros marroquinos da Justiça, Abdellatif Ouahbi, e dos Assuntos Islâmicos, Ahmed Toufiq, que, nas últimas semanas, reivindicaram a soberania ou a “libertação” de Ceuta e Melilha.
Sánchez classificou essas declarações como “inaceitáveis” e garantiu que o governo espanhol as rejeitou de forma contundente. Revelou ainda que, por esse motivo, a embaixadora marroquina, Karima Benyaich, foi convocada pelo Executivo.
A 28 de agosto, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, José Manuel Albares, tinha afirmado no Congresso, perante as críticas da oposição à alegada “fragilidade” do governo perante Marrocos, que as “convocatórias de embaixadores raramente são tornadas públicas”, sem esclarecer na altura se esta tinha ocorrido.
Pedro Sánchez reiterou também esta quinta-feira que “não há provas” de que a entrada em massa de migrantes em Ceuta, a 30 de julho, tenha sido “planeada ou executada” pelas autoridades marroquinas.
Na sua primeira intervenção durante a sessão no Congresso dedicada à crise de Ceuta, Sánchez afirmou que, caso o governo tivesse provas “sólidas”, atuaria “em conformidade, com toda a contundência, como a situação exige”.
“Este governo não tem medo de enfrentar outros poderes estrangeiros quando a situação assim o exigiu”, afirmou o chefe do Executivo.
Sánchez insistiu, contudo, que só tomará medidas com base em “factos provados, comprovados”, recordando a guerra do Iraque, que levou Espanha a participar numa “guerra ilegal com provas falsas”.
Segundo o primeiro-ministro espanhol, até ao momento nenhuma instituição ou governo internacional apresentou “provas sólidas” de que Marrocos tenha executado ou planeado o sucedido.
Ainda assim, acrescentou que “é evidente que, depois do que aconteceu, essa cooperação [com Marrocos] tem de ser diferente”.
Durante a mesma intervenção no Congresso, Sánchez revelou que Espanha vai pedir à Frontex, a agência europeia responsável pelas fronteiras, que estabeleça uma “presença permanente” no porto e no molhe de Ceuta, bem como uma missão específica da Europol.
O chefe do governo voltou a referir a revisão dos mecanismos de coordenação e alerta com Marrocos, acompanhada de “garantias adicionais”.
Sánchez garantiu ainda que Espanha pretende manter uma relação de “boa vizinhança” com Marrocos, embora tenha sublinhado que, depois dos acontecimentos em Ceuta, a cooperação “tem de ser diferente”.
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