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Subida dos juros: o que devemos fazer?

Observador ·
Subida dos juros: o que devemos fazer?

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Sexta-feira, dia de falarmos com o Pedro Lino. Pedro, bem-vindo mais uma vez. Temos aqui uma subida de juros. A inflação parece que voltou a preocupar o BCE.

É verdade, Paulo. Muito bom dia a todos. A inflação da zona euro harmonizada atingiu os 3,3% em agosto, bastante acima do objetivo, que é os 2% do Banco Central Europeu. A principal razão foi a energia, muito afetada pelo conflito do Médio Oriente, como já temos vindo a falar, e os mercados anteciparam já esta subida. Mas comecemos por onde? Por que isso está a subir? O petróleo é o primeiro fator. Quando o petróleo sobe, o impacto é mais do que evidente. Pagamos mais pela gasolina, gasóleo, mas depois o verdadeiro efeito vai muito para além do posto de abastecimento. Nós precisamos de energia para tudo. No fundo, transportar mercadorias, produzir alimentos, aquecer fábricas, viajar. Não há nada na economia que não precise ou de petróleo ou de gás. E o gás na Europa também subiu mais de 100%, o que é um problema. Por isso, esta subida prolongada da energia, porque o conflito não durou nem um mês, nem dois meses, já estamos há seis meses e não há fim à vista, é isto que preocupa o BCE e os efeitos de segunda escala na economia.

É isso mesmo. Este é o primeiro impacto, aquele direto, mas depois vêm os chamados problemas, os efeitos de segunda ordem.

Sim, e estes efeitos são: imaginemos que o preço da energia sobe 15%, uma empresa de transportes começa a pagar mais pelos combustíveis, vai ter que aumentar os preços. A empresa que recebe os produtos também passa a pagar mais pelo transporte, eventualmente aumenta os seus preços. Os trabalhadores têm um aumento do nível do custo de vida, também pedem salários mais altos. Os salários sobem, as empresas podem ter que voltar a aumentar os preços, porque são custos. Por isso, é aquilo que falamos, é o efeito de segunda ordem, de bola de neve, que é um círculo onde todos queremos compensar esta perda, que na realidade é uma perda que vai para fora da economia portuguesa, porque nós não somos produtores de petróleo. Neste momento, estamos perante essa questão. Agora, há uma nuance positiva, que é a inflação subjacente, que exclui a energia e alimentação, até desceu ligeiramente para 2,4%. Por isso, não estamos ainda perante um choque petrolífero energético que está a extravasar para toda a economia, mas esta subida é uma subida preventiva, porque o BCE, neste momento, está vigilante.

Claro, e nessa vigilância sobe os juros. Por que o BCE sobe, então, as taxas?

Foi uma decisão difícil, porque nós temos uma economia que por acaso até está agora a acelerar ligeiramente, mas temos uma subida de juros que pressiona muito as famílias. Mas o mecanismo é relativamente simples: quando o BCE aumenta os juros, aumenta o preço do dinheiro, ou seja, o crédito fica mais caro, o crédito à habitação, o crédito ao consumo, e as famílias e as empresas ou consomem menos ou investem menos, porque o custo do dinheiro aumenta. Se eu peço menos crédito ao consumo ou crédito à habitação, significa que vou consumir menos, a procura abranda.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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