Ex-líder do Equador Lenin Moreno condenado a 5 anos por corrupção
Além disso, o tribunal aplicou a Moreno a "inabilitação perpétua para o exercício de cargos públicos".
Ainda antes de saber a sentença, o ex-líder de 73 anos garantiu que iria recorrer da decisão inicial do julgamento, no qual a mulher e outros familiares foram condenados a quase três anos de prisão por cumplicidade.
Moreno, que esteve presente na leitura do veredicto, numa cadeira de rodas, devido a uma deficiência física que o impede de andar, deverá cumprir a pena em prisão domiciliária.
Moreno era vice-presidente do Governo do socialista Rafael Correa à data dos alegados crimes, entre 2007 e 2013, pelos quais o MP tinha pedido uma pena de seis anos e seis meses de prisão.
Segundo a acusação, Moreno participou numa rede de corrupção que operou de 2009 a 2018, no âmbito da construção da Coca-Cola Codo Sinclair, a maior central hidroelétrica do país, com uma capacidade de 1.500 megawatts.
A construção, na qual participou a empresa estatal chinesa Sinohydro, contou com financiamento do Banco de Exportação e Importação da China, também uma instituição estatal chinesa.
A central hidroelétrica começou a operar no final de 2016, mas só foi oficialmente entregue ao Governo em abril passado, apesar de apresentar milhares de fissuras.
Segundo Moreno, quando assumiu a presidência, a primeira ação foi investigar os projetos do Governo anterior que "foram mal construídos", incluindo a central hidroelétrica, que na altura apresentava 17 mil fissuras.
O antigo presidente nega as acusações e sugeriu que o caso tem motivações políticas, ligadas ao principal detrator, Rafael Correa, exilado na Bélgica.
Após o veredicto, Moreno afirmou que "não recebeu um único cêntimo da Sinohydro", que foi acusada de pagar subornos que totalizaram 76 milhões de dólares (65,6 milhões de euros).
Moreno é o terceiro ex-presidente equatoriano a ser condenado por corrupção, embora tenha sido julgado por crimes antes de chegar à presidência.
Correa foi condenado pela Justiça equatoriana, à revelia, em 2020, a oito anos de prisão num caso de suborno que envolve a gigante brasileira da construção civil Odebrecht.
O antigo presidente Jamil Mahuad (1998-2000) foi também condenado em 2014 a oito anos por desvio de fundos públicos.
Outro ex-presidente, Abdalá Bucaram (1996-1997), aguarda sentença depois de ter sido condenado por crime organizado.
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