A Europa prometeu, mas a Apple fintou as regras com o iPhone 18 Pro
A Europa prometeu mudar o mercado dos smartphones ao combater a obsolescência programada e garantir o direito à reparação. Entre as bandeiras estava o regresso das baterias substituíveis, algo que fez antecipar o regresso das clássicas tampas traseiras removíveis. No entanto, a realidade técnica e as exigências industriais acabaram por ditar um rumo completamente diferente do esperado para os equipamentos de topo.
A chegada ao mercado de novos dispositivos de referência, como o iPhone 18 Pro da Apple ou o Galaxy S26 Ultra da Samsung, veio demonstrar que o cenário não se alterou na prática. Estes modelos continuam selados, mantendo estruturas compactas e sem qualquer facilidade evidente de extração rápida da bateria por parte do utilizador. A promessa de uma troca acessível a qualquer pessoa acabou por esbarrar nos detalhes legais do próprio texto comunitário.
O Regulamento 2023/1670 relativo ao ecodesign de smartphones estabelece que, a partir de 2027, as baterias devem ser facilmente extraíveis com ferramentas vulgares de mercado. Se essas forem proprietárias ou específicas, os fabricantes ficam obrigados a fornecê-las sem custos acrescidos aos consumidores. No entanto, o texto legislativo esconde uma exceção técnica crucial que altera a aplicação prática desta diretiva nos modelos mais avançados.
Os fabricantes ficam isentos de incorporar uma bateria facilmente removível caso o telemóvel disponha de certificação de resistência à água e poeiras IP67 e garanta durabilidade elevada. A bateria tem de assegurar a retenção de pelo menos 80% da sua capacidade original após mil ciclos completos de carga e descarga. Como a Apple já cumpre este parâmetro desde o iPhone 15, a marca não necessita de alterar os seus projetos industriais.
A legislação comunitária não abrange apenas os smartphones topo de gama através destas salvaguardas técnicas, deixando outros segmentos populares à margem da obrigação. Por motivos de segurança, estanqueidade e integridade física dos utilizadores, a União Europeia autorizou que vários dispositivos mantenham baterias internas substituíveis apenas por técnicos qualificados e independentes.
Nesta lista de isenções incluem-se os dispositivos médicos de monitorização, auriculares sem fios como os AirPods, relógios inteligentes como o Apple Watch, brinquedos elétricos e escovas de dentes elétricas. Desta forma, a grande maioria dos aparelhos eletrónicos de uso diário continuará a apresentar estruturas monobloco coladas, mantendo o padrão dos últimos anos.
O sonhado regresso das trocas caseiras e imediatas de bateria acaba por ficar confinado a um plano meramente teórico. A indústria consegue proteger a resistência contra líquidos e a durabilidade sem colidir com as normas da Europa, deixando o panorama dos smartphones praticamente intacto no que toca ao design.
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