Lagarde diz que solução para questão da dívida francesa “está em casa”
França terá de resolver a questão da dívida via consolidação orçamental interna, defende Christine Lagarde, isto numa altura em que crescia a especulação sobre uma possível intervenção do Banco Central Europeu (BCE) para estabilizar a subida de juros nos títulos do país.
A questão das yields, continuou, não é, contudo, exclusiva dos franceses.
Em declarações à CNN à margem dos encontros desta semana do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial em Banguecoque, a presidente do BCE desvalorizou rumores de que o banco poderá agir, incluindo via Instrumento de Proteção de Transmissão (TPI), para acalmar os mercados.
“Há algumas circunstâncias particulares que levam a que alguns países sejam mais afetados, sendo que França é um desses casos”, afirmou.
Como tal, “a primeira e principal solução está em casa, nas políticas orçamentais”.
O TPI, também chamada de ferramenta anti fragmentação, permite ao BCE comprar bonds soberanas que considere sob pressão “indevida” de mercado, evitando a transmissão assimétrica da política monetária entre Estados-membros.
França tem sido das economias da zona euro mais afetadas pelo atual turbilhão nos mercados de dívida, com os juros nos títulos a 10 anos a negociarem em torno de 5%, um nível não visto em mais de duas décadas.
Internamente, o país encontra-se em linha para um défice de pelo menos 5%, isto caso o orçamento atualmente discutido passe no parlamento nacional, onde a probabilidade de aprovação parece baixa.
Na última semana, protestos estudantis generalizados têm espelhado o descontentamento da população com a falta de investimento nos serviços públicos, expondo ainda mais a tensão em torno das contas públicas.
Lagarde reconheceu posteriormente que a concorrência por capital nos mercados tem sido forte, sobretudo dada a emergência da inteligência artificial (IA) e das suas necessidades de investimento, o que também contribui para a subida das yields nos mercados.
Tal ecoa avisos recentes do BCE sobre este tema, onde alertam para o risco sistémico que a montanha de dívida empresarial deste sector pode representar no médio prazo.
Sendo um movimento de mercado, França não é a única economia afetada, ressalvou.
Outros países como a Alemanha ou os EUA, tradicionalmente vistos como de reserva nos mercados obrigacionistas, também estão a experienciar subidas assinaláveis nos juros.
Quanto à política monetária na zona euro, a presidente do BCE sublinhou que não são ainda visíveis efeitos de segunda ordem na inflação, mas que o banco está a monitorizar a situação.
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