Canções de Jorge Palma.
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Os teus olhos são cor de pólvora e o teu cabelo é raspa. O teu modo de andar é uma forma eficaz de atrair saliva. A tua silhueta é um mistério da criação. Sobretudo, tens cara de anjo mau. Cara de anjo mau, tu metes tudo a correr. Basta um olhar teu e o chão começa a tremer. Cara de anjo mau, contigo é fácil cair. Quem te ensinou a ser sempre o último a rir? Que posso fazer ao ver-te acenar a fria universal? Que posso desejar ao avistar tão delicioso mal? Que posso pensar quando me sinto para mim? Que posso tentar se não ir até ao fim? Cara de anjo mau, tu metes tudo a perder. Basta um olhar teu que o chão começa a tremer. Cara de anjo mau, contigo é fácil cair. Quem te ensinou a ser sempre o último a rir?
"Cara de Anjo Mau", Jorge Palma, na Rádio Observador. Especial dedicado ao cantautor português que morreu esta semana. Tiago Pereira está comigo, é editor de cultura do Observador. Esta é também uma edição especial do Isto Não Passa Na Rádio. Tiago, muito boa tarde, bem-vindo.
Tinha esse lado do povo. Era uma pessoa muito próxima de qualquer um de nós. Transmitia essa imagem.
Isso, não era fabricado. Além de ter outras semelhanças ou proximidades, se quiseres, com o Zé Pedro.
Exato, que são os rapazes que estão a tocar neste momento e que regravaram esta canção ao vivo no Johnny Guitarre e depois saiu em disco.
Exato. Tenho ideia que talvez a última vez que tenha visto o Jorge Palma em palco tenha sido em 2022, acho eu, se bem em 2022, quando se reuniu o Palmas Gang no Capitólio e tocaram, por exemplo, o Cara de Anjo Mau. Mas o que eu estava a dizer? O Zé Pedro também tinha esta coisa de ser o tipo porreiro.
E era aquele tipo que tu encontravas na rua ou num concerto, que gostava sempre de ver concertos, e ias lá, falavas com ele como se tivesses estado a beber umas cervejas com ele na noite anterior, tiravas uma foto. O Jorge Palma tinha esse lado também de como se fosse um super-herói, mas que andava a pé. Entendes? Um tipo especial, mas que se confundia na multidão. Além disso, esta canção eu acho que dá jeito num dia como este, que é um dia triste, e é muito fácil cairmos na melancolia, que também fazia muito parte da obra do Jorge Palma, mas também lembrar que havia muito rock and roll e que foi boa parte daquilo que o levou a fazer música, a fazer canções e a querer ir para a estrada.
É engraçado esse lado de rocker, porque estamos a falar de um músico que começa na clássica.
Mas que ele apreciava bastante que lhe dessem uma guitarra elétrica com pedal de distorção e seguir em frente.
Já falamos mais um bocadinho de Jorge Palma nesta hora de rádio especial aqui na Rádio Observador. "Olá", cá estamos nós outra vez, Jorge Palma, agora em 2007.
Olá. Sempre apanhaste o tal comboio. Eu já perdi dois ou três. Entre o ócio e as esquinas
Ganhei o vício da estrada. Nesta outra encruzilhada. Talvez agora a coisa dê. O passado foi à história. Cá estamos nós outra vez. Conheço a tua cara. Mas não sei o teu nome. Escrevo já aqui. Não sei o quê. @.com. Eu vou-te reencontrar. Noutro bar de estação.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.